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Consoles

Anbernic RG Cube: Review do Handheld de Tela Quadrada

23 de junho de 20269 min de leitura
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O Anbernic RG Cube é, de longe, o handheld mais peculiar da linha da marca. Enquanto todo mundo persegue telas largas em 16:9, ele faz o contrário: traz uma tela perfeitamente quadrada de 3,95 polegadas, na proporção 1:1. À primeira vista parece um capricho de design, mas é uma decisão de propósito — e ela divide opiniões. Pra alguns sistemas, é a melhor tela que existe num portátil. Pra outros, é um problema. Vamos destrinchar pra quem esse cubo faz sentido.

A tela quadrada: o diferencial e a limitação

Toda a personalidade do RG Cube gira em torno da tela. São 3,95 polegadas em proporção 1:1, resolução 720x720, um quadrado IPS nítido e bonito. Isso não é detalhe: é a razão de o aparelho existir.

O motivo é simples e elegante. Vários sistemas clássicos tinham tela quadrada ou quase quadrada. O Game Boy, o Game Boy Color, o WonderSwan, o Neo Geo Pocket — todos eles têm proporção próxima de 1:1. Numa tela widescreen comum, esses jogos aparecem espremidos no centro, com tarjas pretas gigantes nas laterais, desperdiçando metade do painel. No RG Cube, eles preenchem a tela inteira, grandes e cheios. É a melhor forma de jogar Game Boy num portátil moderno, ponto.

O mesmo vale pra shmups verticais (aqueles jogos de nave em que a tela do arcade era girada de pé, como muitos clássicos da Cave e da Toaplan). Numa tela larga, eles ficam minúsculos no meio; na tela quadrada do Cube, ganham um espaço muito mais generoso e fiel ao original.

Nota

O reverso da medalha é honesto e precisa ser dito: jogos pensados pra tela larga ficam com barras pretas em cima e embaixo. PSP (16:9), GameCube, Dreamcast e qualquer console mais moderno não preenchem o quadrado — você joga numa faixa central, com partes da tela apagadas. Funciona, mas você não usa a tela inteira.

Ou seja: o RG Cube é fenomenal pra um conjunto específico de sistemas e medíocre, em aproveitamento de tela, pra outro. Saber em qual grupo você joga mais é o que decide se esse aparelho é genial ou frustrante pra você.

Por dentro: Android e o chip T820

Esquecendo a tela por um segundo, o RG Cube é um handheld Android moderno e potente. O cérebro é o Unisoc Tiger T820, o mesmo chip dos Anbernic Android mais novos e parrudos. É um processador com fôlego de sobra pra emulação, bem acima dos handhelds Linux baratos da casa.

Ele roda Android de verdade, com tudo que isso implica: loja de apps, navegador, liberdade total pra instalar qualquer emulador — e, em contrapartida, a necessidade de você configurar as coisas. O aparelho não chega rodando tudo por mágica; você instala os emuladores, mapeia controles e ajusta cada sistema. Quem vem de um Linux fechado sente a curva de aprendizado, mas ganha um poder que os baratos nem sonham.

Completam o pacote os analógicos com sensor Hall — imunes ao stick drift, aquela deriva chata em que o personagem anda sozinho — além de Wi-Fi e Bluetooth pra baixar capas, ativar conquistas e parear acessórios.

O que o RG Cube roda de verdade

O T820 é potente, então a lista de sistemas é larga. Vale separar o que ele faz com folga do que ele faz com ajuste.

  • Retrô clássico (8/16-bit, GBA, PS1, arcade): roda de olhos fechados, sobrando potência. E aqui mora a graça: é justamente nesses sistemas quadrados (Game Boy, Neo Geo Pocket, WonderSwan) que a tela 1:1 brilha.
  • PSP, Dreamcast e Saturn: rodam com folga, a biblioteca quase inteira fica jogável. A ressalva é a tela — esses sistemas são widescreen ou 4:3, então você joga com barras.
  • Nintendo 64: roda bem na maioria dos títulos.
  • PS2 e GameCube leves: o T820 encara, e roda de forma jogável boa parte do catálogo mais leve, com ajustes por jogo. Os títulos mais pesados pedem paciência e nem sempre rendem.

Dica

A regra de ouro: PSP, Dreamcast e PS1 são quase "liga e joga". PS2 e GameCube pedem que você mexa em configurações por jogo — resolução, plugins, frameskip. E não esqueça: pra extrair o melhor do formato, priorize os sistemas quadrados, que é onde o Cube não tem concorrência.

Ergonomia e construção

O formato cúbico não é só a tela — o corpo todo segue a pegada. O RG Cube é compacto e tem uma presença sólida na mão, com bom acabamento, característica da Anbernic. Os botões respondem bem, os gatilhos caem nos dedos e o conjunto passa qualidade.

O desenho quadrado torna o aparelho um pouco mais largo e menos "de bolso de calça" do que um Miyoo Mini, mas ele ainda é bem portátil — cabe tranquilo numa mochila ou bolsa, e a pegada compacta agrada em sessões médias. Não é o handheld mais ergonômico do mundo pra maratonas de horas, mas dá conta do recado sem reclamações sérias.

Vale uma palavra sobre bateria, já que muita gente esquece desse detalhe. Como o RG Cube é Android e roda um chip potente, o consumo varia bastante: em retrô clássico, a autonomia é tranquila e segura boas sessões; em PSP, Dreamcast ou PS2, com a tela no brilho alto, a bateria cai bem mais rápido. Dá pra esticar bastante a duração baixando o brilho, desligando Wi-Fi e Bluetooth quando não usa e fechando apps em segundo plano — os mesmos truques que valem pra qualquer Android. Pra uso na rua, um carregador USB-C decente e um power bank fazem toda a diferença.

Para quem o RG Cube faz sentido

Aqui é onde a conversa fica honesta, porque o RG Cube é um aparelho de nicho, e tudo bem ser.

Ele é a escolha perfeita pra quem:

  • Ama os sistemas quadrados. Se você vive de Game Boy, Game Boy Color, WonderSwan e Neo Geo Pocket, não existe forma melhor de jogá-los num portátil moderno. A tela 1:1 foi feita pra isso — e se o orçamento é menor, vale ver como ele se sai contra o rival Linux mais barato no nosso RG Cube vs Powkiddy RGB30.
  • Curte shmups verticais. Pra quem gosta de jogo de nave clássico, a tela quadrada dá um espaço que widescreen nenhum entrega.
  • Quer um Android potente com personalidade. O T820 roda muita coisa, e o formato único é um charme pra quem coleciona handhelds e gosta de ter algo diferente.

Ele não é a melhor escolha pra quem joga majoritariamente PSP, Dreamcast, PS2 ou GameCube — sistemas widescreen ou 4:3 que vão conviver com barras pretas. Pra esse perfil, um Anbernic de tela larga, como o RG556, aproveita muito melhor o painel e entrega a mesma potência num formato mais convencional.

Se você ainda está na dúvida de onde o Cube se encaixa na família, o nosso guia de qual Anbernic comprar coloca a linha inteira em perspectiva e ajuda a comparar formatos e preços. E se a sua praia é tela bonita pra emulação média, vale olhar também o nosso review do RG505, que aposta numa AMOLED widescreen.

Prós e contras

Prós:

  • Tela quadrada 1:1 perfeita pra Game Boy, WonderSwan, Neo Geo Pocket e shmups verticais
  • Chip Unisoc T820 potente, roda PSP, Dreamcast e Saturn com folga
  • Encara PS2 e GameCube mais leves com ajustes
  • Analógicos Hall sem stick drift
  • Android = liberdade total de emuladores e apps
  • Formato único, charme pra quem coleciona

Contras:

  • Jogos widescreen (PSP, Dreamcast, PS2) ficam com barras pretas
  • Android exige que você instale e configure tudo (curva de aprendizado)
  • Formato de nicho: só vale a pena pra quem joga os sistemas certos
  • PS2 e GameCube pesados pedem muito ajuste e nem sempre rendem

Veredito: vale a pena?

O Anbernic RG Cube é um aparelho de propósito, não pra todo mundo. Se a sua biblioteca tem muito Game Boy, Neo Geo Pocket, WonderSwan e shmups verticais, ele é simplesmente a melhor tela portátil que existe pra esses jogos, com o bônus de um chip T820 potente que ainda dá conta de PSP, Dreamcast e PS2 leve. Pra esse perfil, é uma compra apaixonante.

Se, por outro lado, você joga principalmente sistemas widescreen, as barras pretas vão te incomodar, e o seu dinheiro rende mais num Anbernic de tela larga com a mesma potência. O RG Cube não é melhor nem pior que eles — é diferente, e essa diferença é tudo. Saiba o que você joga, e a decisão fica fácil.

Anbernic RG Cube

R$ 1.000–1.400

Tela quadrada 3.95" 1:1 num corpo Android potente — formato único para GB e arcades verticais

Ver na Amazon (abre em nova aba)

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Perguntas frequentes

Por que a tela do RG Cube é quadrada?

Porque vários sistemas clássicos — Game Boy, Game Boy Color, WonderSwan, Neo Geo Pocket — tinham tela quadrada ou quase quadrada, e os shmups verticais também. Numa tela larga, esses jogos ficam espremidos no centro com tarjas enormes nas laterais. Na tela 1:1 de 3,95 polegadas do Cube, eles preenchem o painel inteiro. É a melhor forma de jogá-los num portátil moderno.

O Anbernic RG Cube roda PS2?

Roda os títulos de PS2 mais leves de forma jogável, com ajustes por jogo, graças ao chip T820. Os jogos de PS2 mais pesados pedem bastante configuração e nem sempre rendem bem. PSP, Dreamcast e Saturn, por outro lado, ele roda com folga. Só lembre que esses sistemas são widescreen ou 4:3 e vão aparecer com barras na tela quadrada.

Jogos normais ficam com barras pretas no RG Cube?

Sim. Jogos pensados pra tela larga (16:9), como a maioria dos de PSP e consoles mais modernos, não preenchem o quadrado — aparecem numa faixa central com barras pretas em cima e embaixo. Funciona perfeitamente, mas você não usa a tela inteira. Por isso o Cube brilha mesmo é nos sistemas de proporção quadrada.

Pra quem o RG Cube vale a pena?

Pra quem ama os sistemas quadrados (Game Boy, WonderSwan, Neo Geo Pocket) e shmups verticais, e pra quem quer um Android potente com um formato diferente e charmoso. Não vale tanto pra quem joga majoritariamente PSP, Dreamcast, PS2 ou GameCube — nesse caso, um Anbernic de tela larga como o RG556 aproveita melhor o painel pela mesma potência.

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Rafael Tanaka

Editor de consoles retrô e emulação

Rafael Tanaka mexe com emulação e coleciona portáteis desde a era do PSP. No RetroPortátil ele testa cada handheld na mão — Anbernic, Miyoo, Powkiddy, Retroid, R36S — e escreve reviews honestos, comparativos lado a lado e tutoriais de firmware e configuração, sempre com foco em ajudar o gamer brasileiro a escolher o aparelho certo para o seu bolso e para os sistemas que quer emular.

Editor do RetroPortátil, site independente sobre consoles retrô portáteis. O site usa links de afiliado da Amazon, o que não influencia as análises ou recomendações.

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