O Game Boy original era uma telinha verde sem luz de fundo, com quatro tons de cinza e um processador que hoje cabe na cabeça de um alfinete. E mesmo assim ele vendeu mais de 100 milhões de unidades e construiu uma das bibliotecas mais queridas da história dos videogames. A genialidade do console não estava na potência, estava nos jogos: criativos, viciantes e desenhados pra serem jogados em qualquer lugar, cinco minutinhos de cada vez.
A boa notícia pra quem tem um handheld retrô é que o Game Boy roda em absolutamente tudo. É o sistema mais leve que existe, então até o portátil mais barato e simples emula o catálogo inteiro sem suar. Se você quer um aparelho perfeito pra reviver esses clássicos com aquela pegada de bolso, o Miyoo Mini é praticamente um Game Boy moderno. Aqui vão os 15 jogos que você precisa ter no cartão.
Nota
A forma legal de jogar esses clássicos é fazendo o dump dos seus próprios cartuchos ou usando homebrews e jogos de domínio público. Use sempre ROMs de jogos que você possui, como cópia de segurança das suas mídias. O RetroPortátil não distribui nem indica sites de ROMs piratas.
Os clássicos que definiram o portátil
Esses são os jogos que vendiam o aparelho, os títulos que todo mundo associa ao Game Boy. Começar por aqui é montar a fundação da coleção.
Tetris. O jogo que vinha junto com o console e virou sinônimo de Game Boy. Aquela trilha sonora russa, o vício imediato e a fórmula perfeita fizeram dele um dos jogos mais importantes já lançados. É curtinho de aprender, impossível de largar e funciona tão bem hoje quanto em 1989. Se você só puser um jogo no cartão, que seja esse.
Pokémon Red e Blue. Os jogos que iniciaram um dos maiores fenômenos da cultura pop. Mesmo com gráficos monocromáticos, a fórmula de capturar, treinar e batalhar é tão boa que prende dezenas de horas. Vale jogar pela história e pela nostalgia, e o formato portátil é exatamente o ambiente pra essas longas jornadas. Dica: o Pokémon Yellow é a versão definitiva da primeira geração, com o Pikachu te seguindo.
The Legend of Zelda: Link's Awakening. Provavelmente o melhor jogo do console inteiro. A Nintendo pegou a fórmula de A Link to the Past do Super Nintendo e a comprimiu num cartucho de Game Boy sem perder quase nada: masmorras geniais, mundo cheio de segredos, humor e uma história surpreendentemente tocante. É uma aventura completa que não envergonha nenhum Zelda maior.
Super Mario Land. O primeiro Mario portátil tem um clima estranho e único: chefões de submarino e avião, cenários inspirados no Egito e na Ilha de Páscoa, e uma trilha sonora cativante. É curto e bem diferente dos Marios de mesa, mas tem um charme próprio que vale a visita. Marco histórico do mascote no bolso.
Super Mario Land 2: 6 Golden Coins. O segundo é onde o Mario portátil amadureceu de vez. Fases maiores e mais criativas, sprite do Mario gigante e a estreia do Wario como vilão. É um platformer de primeira linha, muito mais polido que o primeiro, e fácil de recomendar pra qualquer fã do encanador. Um dos auges da plataforma no Game Boy.
Ação e aventura na palma da mão
O Game Boy não era só puzzle e RPG. Tinha ação afiada, plataforma precisa e até terror espacial naquela telinha minúscula.
Kirby's Dream Land. A estreia da bolinha rosa, simples e gostoso de jogar. É curtinho e fácil, perfeito pra relaxar, com aquele charme fofo que virou marca da série. A versão original ainda não tinha o poder de copiar habilidades, mas a diversão direta segura o jogo até hoje. Ótimo pra sessões rápidas.
Metroid II: Return of Samus. A continuação direta do Metroid do NES, e só existiu no Game Boy. É uma caçada claustrofóbica a Metroids numa caverna labiríntica, com aquela atmosfera solitária que define a série. Mais difícil de se localizar que os jogos modernos, mas recompensador e historicamente essencial pra entender a saga da Samus.
Wario Land: Super Mario Land 3. Aqui o Wario rouba o protagonismo de vez e ganha um platformer próprio, mais lento e baseado em força bruta e exploração que em velocidade. Coletar tesouros e quebrar tudo na frente é estranhamente satisfatório. É um dos melhores jogos de ação do console e o início de uma série excelente.
Donkey Kong (1994). Não confunda com o arcade: esse "Donkey Kong" do Game Boy começa parecido com o clássico e logo vira um dos platformers-puzzle mais ricos da Nintendo, com mais de 100 fases. O Mario ganha movimentos de ginasta e cada fase é um quebra-cabeça de plataforma. Subestimadíssimo e brilhante.
Os ícones que vieram de outros consoles
Vários gigantes do NES e do arcade desembarcaram no Game Boy em versões feitas sob medida pra telinha. Alguns ficaram surpreendentemente bons.
Mega Man: Dr. Wily's Revenge. O robozinho azul chegou ao portátil mantendo a ação rápida e a dificuldade exigente da série. Os jogos de Mega Man do Game Boy misturam chefes de vários títulos do NES e têm desafio de sobra. Se você curte plataforma de reflexo punitiva, a série inteira no Game Boy é um prato cheio.
Castlevania: The Adventure. A primeira incursão da caça-vampiros no portátil é lenta e difícil, bem old-school, mas tem seu charme gótico. A sequência, Belmont's Revenge, é bem melhor e mais recomendável. Vale a visita pra quem ama a série e quer ver como ela funcionava espremida num Game Boy dos primeiros anos.
Final Fantasy Adventure. Conhecido lá fora como o início do que viraria a série Mana, é um RPG de ação com exploração, combate em tempo real e uma história melancólica surpreendente. Foi uma das primeiras grandes aventuras de RPG do portátil e ainda envelhece bem. Imperdível pra quem gosta do gênero e quer algo mais dinâmico que turnos.
The Final Fantasy Legend (SaGa). O primeiro RPG de verdade do Game Boy e, na prática, o início da série SaGa da Square. É estranho, difícil e cheio de ideias malucas pra época, com sistema de evolução de personagens fora do comum. Um marco histórico que mostra como a Square apostou cedo no portátil. Cult entre fãs de RPG clássico.
Mole Mania. Uma joia escondida produzida por Shigeru Miyamoto, criador do Mario. É um jogo de puzzle e ação onde você cava túneis e empurra objetos pra resolver enigmas, com aquela inventividade típica das melhores ideias da Nintendo. Pouca gente jogou na época e é um dos segredos mais bem guardados do catálogo.
Por que o Game Boy é o sistema perfeito pra começar
Se você acabou de montar seu primeiro handheld e não sabe por onde começar, o Game Boy é a aposta mais segura possível. Os jogos são leves, rodam liso em qualquer aparelho e foram desenhados pra exatamente o tipo de uso que um portátil pede: partidas curtas, fáceis de pausar e retomar. Com save state, você ainda elimina a única reclamação válida da época, que era a falta de pontos de salvamento generosos.
Vale lembrar que muitos desses jogos ganham vida nova no Game Boy Color, que trouxe versões coloridas de alguns clássicos e seu próprio catálogo de exclusivos, como os Zelda Oracle of Seasons e Oracle of Ages e o Pokémon Crystal — reunimos os imperdíveis na lista dos melhores jogos de Game Boy Color. Qualquer handheld que emula Game Boy também emula Game Boy Color, então você ganha as duas bibliotecas de uma vez. É muito jogo bom pra pouquíssimo espaço de cartão.
Qual handheld é ideal pra Game Boy
Como o sistema roda em tudo, a escolha é puramente sobre o formato que você curte. Pra reviver o Game Boy com a maior fidelidade de espírito, o Miyoo Mini é difícil de bater: ele tem o tamanho de bolso, a cara retrô e uma comunidade gigante de firmwares por trás. É como ter um Game Boy moderno, com tela bonita e save state. Pra quem está montando o primeiro aparelho, é uma porta de entrada baratíssima e encantadora.
Se você quer um aparelho que faça mais que Game Boy, qualquer Anbernic da linha de entrada, como o RG35XX, roda o catálogo monocromático com folga e ainda dá conta de Super Nintendo, PS1 e muito mais. A escolha entre os dois é só sobre tamanho e ambição: Miyoo Mini pra portabilidade pura e clima de Game Boy, RG35XX pra ter uma central retrô mais completa no bolso.
Miyoo Mini (V2)
R$ 350–550O original que iniciou a febre dos micro-handhelds — tela 2.8" e Onion OS impecável
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Depois de escolher o aparelho, é só copiar os jogos e jogar. Se você nunca fez isso, o nosso guia de como colocar jogos no RG35XX resolve em minutos e vale pra quase qualquer handheld. E quando esgotar os clássicos monocromáticos, parta pros melhores jogos de GBA, que levam a família Game Boy a outro nível.
Perguntas frequentes
Qual handheld é melhor para jogar Game Boy?
Qualquer um, porque Game Boy é o sistema mais leve que existe e roda em todo aparelho. Pra reviver o clima original com formato de bolso, o Miyoo Mini é a melhor pedida. Se você quer um aparelho mais completo que também faça SNES e PS1, um Anbernic RG35XX dá conta do recado e ainda emula muito mais.
Game Boy Color roda nos mesmos aparelhos?
Roda. Todo handheld que emula Game Boy também emula Game Boy Color, então você ganha as duas bibliotecas de uma vez. Isso libera clássicos coloridos como Pokémon Crystal e os Zelda Oracle, além das versões coloridas de vários jogos do Game Boy original. É muito conteúdo por pouquíssimo espaço.
Esses jogos precisam de BIOS pra emular?
Não. Game Boy e Game Boy Color não exigem BIOS pra rodar na imensa maioria dos emuladores e handhelds. Basta copiar a ROM pra pasta certa do cartão e jogar. É um dos sistemas mais simples de configurar, ideal pra quem está começando na emulação portátil.
Vale a pena jogar Game Boy hoje, com gráficos tão simples?
Vale muito. Os gráficos eram limitados, mas o design dos jogos é atemporal: Tetris, Link's Awakening e os Pokémon clássicos são tão divertidos hoje quanto eram na época. E o save state moderno elimina a frustração de progresso perdido. É história dos videogames acessível na palma da mão.

