Você acabou de tirar o Anbernic RG35XX da caixa, ligou, viu aqueles poucos jogos de demonstração e bateu a dúvida de sempre: como é que eu boto os meus jogos aqui dentro? Calma, é muito mais tranquilo do que parece. Depois que você entende a lógica dos cartões e das pastas, monta a sua biblioteca inteira em uma tarde e nunca mais erra.
A ideia geral é simples: você tira o cartão de jogos, conecta no computador, copia cada ROM para a pasta do console certo e devolve o cartão ao aparelho. Sem solda, sem terminal, sem mágica. Vamos do começo, no ritmo de quem nunca fez isso.
Entenda os dois cartões do RG35XX
O RG35XX original (e o RG35XX Plus) tem dois slots de cartão microSD, e essa é a fonte de quase toda a confusão de quem está começando:
- TF1 (sistema): vem com um cartão que carrega o sistema do aparelho. Em alguns modelos esse cartão já traz tudo pronto. Você raramente mexe nele.
- TF2 (jogos): é o slot onde você coloca um segundo cartão dedicado só às suas ROMs. É nesse que você trabalha 99% do tempo.
Existem firmwares que rodam tudo em um cartão único (sistema e jogos juntos no TF1) e firmwares que separam as coisas em dois cartões. Qual dos dois você vai usar depende do sistema instalado, e é aí que entra a próxima decisão.
Nota
Alguns RG35XX chegam com um cartão já recheado de jogos. Funciona para um primeiro contato, mas misturar sistema e jogos no mesmo cartão é arriscado: qualquer erro de cópia pode corromper o sistema. Sempre que possível, deixe o cartão de sistema quieto e use um segundo cartão só para os jogos.
GarlicOS ou MuOS: qual sistema usar
O sistema que veio de fábrica funciona, mas a comunidade quase sempre troca por um custom firmware, porque ele organiza melhor a biblioteca, roda mais sistemas e fica mais bonito. Os dois nomes que você mais vai ouvir são:
- GarlicOS: o queridinho dos modelos mais antigos do RG35XX. Interface limpa, ótimo para 8 e 16 bits e PS1, com salvamento por estado (save state) bem resolvido.
- MuOS: muito popular nos modelos Plus e H, com base em outra distribuição, atualizações frequentes e bom suporte de Wi-Fi nos aparelhos que têm.
Não dá pra dizer "um é melhor que o outro" no vácuo: depende do seu modelo exato de RG35XX. A boa notícia é que, escolhido o firmware, a lógica de copiar jogos é praticamente a mesma. Se você ainda vai instalar um deles, leia antes o nosso guia de custom firmware para handheld, que explica como gravar o sistema no cartão sem dor de cabeça.
O que você vai precisar
A lista é curta e barata:
- O RG35XX ligado pelo menos uma vez, para você conhecer a interface.
- Um computador (Windows, Mac ou Linux) com porta USB.
- Um leitor de cartão microSD (adaptador USB ou a entrada SD do notebook).
- Um cartão microSD bom para os jogos. Esse ponto é inegociável: cartão ruim ou falsificado é a causa número um de jogo que não abre, save que some e aparelho que trava.
Se você ainda vai comprar o cartão de jogos, não economize no errado. Um cartão de marca confiável, classe A1 ou A2, de 128 GB, resolve a vida da maioria das pessoas com folga para PS1. Vale ler o nosso guia do melhor cartão de memória antes de decidir o tamanho.
Passo a passo: colocando jogos no RG35XX
Agora a parte prática. Siga na ordem e não tem erro.
- Desligue o RG35XX completamente. Nunca remova um cartão com o aparelho ligado, isso corrompe arquivos.
- Retire o cartão de jogos (o do slot TF2, ou o cartão único, conforme o seu firmware) com a unha ou uma pinça. Empurre para dentro até ouvir o clique de soltar.
- Conecte o cartão ao computador usando o leitor microSD.
- Abra o cartão no explorador de arquivos. Você vai ver várias pastas. A principal é a pasta de ROMs.
- Encontre a pasta de cada sistema dentro da pasta de ROMs (explico a estrutura no próximo bloco).
- Copie cada jogo para a pasta do console correto. Um jogo de SNES vai para a pasta de SNES, um de Mega Drive para a de Mega Drive, e assim por diante.
- Ejete o cartão com segurança antes de tirar do computador.
- Recoloque o cartão no slot certo do RG35XX, ligue e atualize a lista de jogos.
Pronto. Seus jogos aparecem na tela do console organizados por sistema. O processo é primo-irmão do de outros aparelhos: se você já viu o nosso passo a passo de como colocar jogos no R36S, vai notar que a lógica é idêntica, muda só o nome de algumas pastas.
A estrutura de pastas de ROMs
Aqui está o coração de tudo. O sistema espera que cada console tenha sua própria pasta, e que cada ROM esteja dentro da pasta certa. Se você jogar um arquivo de SNES dentro da pasta de PS1, ele simplesmente não aparece ou não roda.
Dentro do cartão existe uma pasta de ROMs (no GarlicOS costuma ser `Roms`; em outros firmwares aparece como `roms`, minúsculo). Dentro dela ficam as subpastas por sistema:
| Console | Pasta típica |
|---|---|
| Super Nintendo | SNES (ou snes) |
| Nintendo (NES) | FC ou NES |
| Mega Drive / Genesis | MD ou megadrive |
| Game Boy Advance | GBA |
| PlayStation 1 | PS ou psx |
| Arcade (MAME/FBNeo) | ARCADE ou fbneo |
A regra de ouro: uma ROM, uma pasta, o sistema certo. Se a pasta do console que você quer não existir, é sinal de que aquele sistema pode não estar habilitado nesse cartão. Na dúvida, copie para a pasta com o nome mais próximo e teste.
Dica
Jogos de PS1 costumam vir em vários arquivos (faixas de CD) ou no formato `.bin`/`.cue`. Para esses, prefira converter para um único arquivo `.chd`: ocupa menos espaço, evita a bagunça de múltiplos arquivos e roda igual. A maioria dos guias da comunidade explica como gerar `.chd` em poucos cliques.
A questão da BIOS (PS1 e companhia)
Alguns sistemas não rodam só com a ROM: eles precisam da BIOS, que é o firmware original do console. O caso mais comum no RG35XX é o PlayStation 1, mas alguns arcades também pedem.
A BIOS não vai na pasta do jogo. Ela fica numa pasta separada chamada bios, na raiz do cartão de jogos. Você coloca o arquivo de BIOS lá uma única vez e ele serve para todos os jogos daquele sistema.
Sem a BIOS correta, o jogo de PS1 dá tela preta ou nem abre. Esse é, de longe, o motivo mais comum de "meu PS1 não funciona no RG35XX". A BIOS é parte do console original e protegida por direitos: a forma legítima é extraí-la do seu próprio PlayStation.
Nota
Sobre os jogos em si: use ROMs de jogos que você possui, como cópia de segurança das suas próprias mídias. O RetroPortátil não distribui nem indica sites de ROMs piratas. Se essa parte te deixa em dúvida, dá uma olhada no nosso texto sobre o que é emulação e a legalidade no Brasil.
Ajustar os emuladores e o RetroArch
No RG35XX, a maioria dos jogos roda por dentro do RetroArch, o frontend que reúne vários emuladores (chamados de "cores") numa interface só. Você não precisa configurar nada para começar a jogar, mas vale entender duas coisas:
- Se um jogo está lento ou com a imagem estranha, muitas vezes a solução é trocar o core daquele sistema dentro do RetroArch, ou ajustar uma opção de vídeo.
- Os save states (salvar exatamente onde parou) ficam gravados no cartão de jogos. Faça backup deles de vez em quando, principalmente se for reinstalar o firmware.
Para entender o RetroArch a fundo, com aquelas configurações que melhoram a imagem e o desempenho, leia o nosso guia de como configurar o RetroArch. É o tipo de leitura que transforma a sua experiência depois que a biblioteca já está montada.
Atualizar a lista e baixar as capas
Depois de recolocar o cartão e ligar o aparelho, dois detalhes finais:
- Atualize a lista de jogos. Alguns firmwares reconhecem os jogos novos na hora; outros pedem para você atualizar a gamelist nas opções ou simplesmente reiniciar. Se o jogo não aparecer de primeira, reinicie antes de achar que deu errado.
- Baixe as capas (scraping). Em vez de uma lista de nomes, você pode ter a capa de cada jogo, com descrição e ano. Esse processo de buscar as imagens automaticamente chama-se scraping. Ferramentas como o Skraper, rodadas no computador, geram as imagens e o arquivo de lista. Nos modelos com Wi-Fi, dá pra fazer o scraping no próprio aparelho.
Não é obrigatório, mas uma biblioteca com nomes limpos e capas bonitas faz o RG35XX parecer um produto bem mais caro do que é.
Problemas comuns e como resolver
O cartão não é lido pelo aparelho
Quase sempre é cartão de baixa qualidade, mal encaixado ou formatado no padrão errado. Reencaixe firme, teste em outro cartão e confira a formatação (FAT32 para cartões menores, exFAT para 128 GB ou mais).
O jogo não aparece na lista
Três suspeitos: a ROM está na pasta errada, o formato do arquivo não é suportado por aquele sistema, ou você esqueceu de atualizar a lista de jogos. Confira a pasta, reinicie o aparelho e veja se resolve.
Travamentos e saves que somem
Sintoma clássico de cartão falsificado. Existem cartões vendidos como 128 GB que na verdade têm muito menos memória real: tudo parece copiar, mas os arquivos corrompem. Por isso a insistência em comprar de marca confiável.
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Perguntas frequentes
Preciso formatar o cartão antes de usar?
Se for um cartão novo e vazio, formate em FAT32 (até 32 GB) ou exFAT (64 GB e acima) e grave o firmware ou crie a estrutura de pastas. Se o cartão já veio do RG35XX com as pastas prontas, não precisa formatar: é só copiar os jogos para as pastas certas.
GarlicOS ou MuOS, qual eu instalo?
Depende do seu modelo. Em RG35XX mais antigos, o GarlicOS é a escolha clássica e mais simples. Nos modelos Plus e H, o MuOS é muito popular e bem atualizado. Os dois deixam o aparelho melhor que o sistema de fábrica, e em ambos o jeito de copiar jogos é praticamente igual.
Por que o jogo não aparece na tela?
Na maioria das vezes é porque a ROM foi para a pasta errada, o formato não é suportado por aquele sistema, ou a lista de jogos não foi atualizada. Confira a pasta do console, reinicie o RG35XX e, se for PS1, confirme que a BIOS está na pasta `bios`.

