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Configuração

GarlicOS, Onion OS, ArkOS e muOS: Guia dos Custom Firmwares

23 de junho de 202610 min de leitura
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Você comprou um handheld retrô, ligou e achou o sistema de fábrica meio sem graça? Pois é exatamente aí que a comunidade entra. Os custom firmwares são sistemas alternativos, feitos por fãs, que transformam a experiência desses aparelhos: interface mais bonita, mais consoles rodando, recursos como save state, capas dos jogos e organização decente. Em muitos modelos, trocar o firmware é o que separa um brinquedo de um portátil de verdade.

A boa notícia é que cada aparelho tem um firmware "queridinho" da comunidade, e o processo de instalar quase sempre se resume a gravar um cartão de memória. Vamos entender o que é cada um e qual combina com o seu console.

O que é um custom firmware e por que trocar

O firmware é o sistema que roda no aparelho, do mesmo jeito que o Android roda no celular. O firmware de fábrica desses handhelds costuma ser funcional, mas limitado: interface travada, poucos sistemas, configuração difícil. O custom firmware é uma alternativa criada pela comunidade que melhora justamente isso.

Os ganhos principais de trocar:

  • Navegação melhor: menus organizados, busca rápida, capas e descrições dos jogos.
  • Mais compatibilidade: emuladores atualizados que rodam mais sistemas e mais jogos.
  • Recursos extras: save state (salvar em qualquer ponto), retroachievements (conquistas), avanço rápido, temas visuais.
  • Estabilidade: firmwares maduros travam menos que o sistema de fábrica.

Não é obrigatório. Se o sistema original te atende, ótimo. Mas a maioria das pessoas que entra fundo no hobby acaba trocando, e raramente se arrepende.

Os recursos que um custom firmware adiciona

Vale detalhar o que você realmente ganha na prática, porque a lista é o que justifica a troca:

  • Capas dos jogos (box art) e scraping: em vez de uma lista crua de nomes de arquivo, você vê a capa de cada jogo, com descrição, ano e gênero. O processo de baixar essas informações automaticamente chama-se scraping, e os bons firmwares fazem isso com poucos cliques (alguns precisam de Wi-Fi). A biblioteca deixa de ser uma planilha e vira uma prateleira bonita.
  • Save states: o recurso que congela o jogo exatamente onde está, a qualquer momento, e te deixa voltar depois. Salva sua vida em jogos difíceis e em sessões curtas, quando você precisa parar no meio de uma fase.
  • RetroAchievements: conquistas para jogos clássicos, no estilo dos troféus de console moderno. Você desbloqueia objetivos jogando os mesmos jogos de sempre, com um placar online. Precisa de Wi-Fi e de uma conta gratuita.
  • Temas e personalização: trocar a aparência da interface, ícones, fontes e sons, deixando o aparelho com a sua cara.
  • Melhor compatibilidade: emuladores mais atualizados que o de fábrica, muitos rodando sobre o RetroArch (que você pode aprender a configurar aqui), com mais sistemas, mais jogos e recursos extras como avanço rápido, rebobinar a ação e filtros de imagem.

É essa soma que transforma o aparelho. O firmware de fábrica te dá uma lista de jogos; o custom firmware te dá uma experiência inteira em volta deles.

Os principais custom firmwares

Cada firmware nasceu para um tipo de aparelho. Misturar não funciona: você não instala Onion OS num Anbernic nem GarlicOS num Miyoo Mini. Conheça os nomes que importam.

GarlicOS — o clássico da linha Anbernic 35XX/40XX

O GarlicOS virou sinônimo de custom firmware para os Anbernic da linha RG35XX e RG40XX. Ele pega aparelhos que vinham com um sistema de fábrica meio cru e entrega uma experiência limpa, rápida e organizada. Por anos foi a recomendação automática para quem comprava um Anbernic RG35XX. É estável, popular e tem montanhas de tutoriais.

muOS — o moderno da Anbernic

O muOS é a estrela mais recente da linha Anbernic. É um firmware Linux moderno, com visual bonito, boa organização e desenvolvimento ativo. Para muita gente, ele já substituiu o GarlicOS como primeira escolha nos modelos compatíveis, justamente por ser mais novo e receber atualizações com frequência. Se você gosta de um sistema que continua evoluindo, vale olhar o muOS.

Onion OS — o rei do Miyoo Mini

Se você tem um Miyoo Mini ou Miyoo Mini Plus, o nome que importa é Onion OS. Ele é praticamente um item obrigatório nesses aparelhos: transforma o pequeno Miyoo num portátil completo, com interface caprichada, capas de jogos, temas e uma compatibilidade enorme para o tamanho do aparelho. É difícil encontrar alguém com Miyoo Mini que não rode Onion.

ArkOS — o coringa do R36S e dos chips RK

O ArkOS é o firmware da família de aparelhos com chips Rockchip, como RK3326 e RK3566. Isso inclui o R36S, vários Powkiddy e aparelhos genéricos parecidos. É um Linux estável, com a estrutura de pastas de ROMs por sistema, que dá conta de tudo até PS1 com folga. Se você tem um R36S, provavelmente já está rodando ArkOS sem nem saber. Para colocar jogos nele, veja o nosso guia de como colocar jogos no R36S.

JELOS — a alternativa Linux

O JELOS é outro sistema Linux que roda em vários desses mesmos chips Rockchip, sendo uma alternativa ao ArkOS no R36S, em Powkiddy e similares. Tem foco em desempenho e numa configuração mais "fechada e pronta". Vale conhecer caso o ArkOS não te agrade, mas para a maioria das pessoas o ArkOS já resolve. Outra alternativa moderna que vem ganhando espaço é o KNULLI, um firmware baseado no Batocera, com ampla compatibilidade de aparelhos e atualizações frequentes.

Tabela: qual firmware para cada aparelho

AparelhoFirmware recomendadoAlternativas
Anbernic RG35XX / RG40XXGarlicOS ou muOSStock atualizado
Anbernic (modelos recentes)muOSGarlicOS
Miyoo Mini / Mini PlusOnion OS
R36SArkOSJELOS
Powkiddy (RK3326/RK3566)ArkOSJELOS
Aparelhos genéricos RKArkOSJELOS

A regra: identifique a linha do seu aparelho (Anbernic, Miyoo ou chip Rockchip) e use o firmware da coluna recomendada. Não tente cruzar firmwares entre famílias diferentes.

Como instalar (visão geral)

A parte que assusta os iniciantes é, na prática, a mais tranquila. Em quase todos esses casos, você não abre o aparelho nem mexe em peça nenhuma. O processo padrão é:

  1. Baixe a imagem do firmware no site ou repositório oficial do projeto.
  2. Pegue um cartão microSD dedicado (idealmente um bom, de marca confiável).
  3. Grave a imagem no cartão usando um programa como Balena Etcher ou Rufus, que escreve o sistema inteiro de uma vez.
  4. Insira o cartão no slot certo do aparelho (no R36S, o slot de jogos costuma receber o firmware).
  5. Ligue o aparelho com o cartão dentro. Ele inicializa direto no novo firmware.

Todo o processo acontece pelo cartão. Como o sistema mora no cartão de memória, trocar de firmware é só trocar (ou regravar) o cartão. Isso também significa que, se algo der errado, você regrava e tenta de novo, sem danificar o hardware.

Dica

Antes de gravar, faça um backup do cartão original do aparelho, se houver. Assim você pode voltar ao estado de fábrica a qualquer momento copiando a imagem de volta. Custa cinco minutos e te salva de qualquer arrependimento.

Riscos e como evitar

A boa notícia é que os riscos reais são pequenos justamente porque o sistema vive no cartão, não na placa. Ainda assim, dois cuidados evitam 99% dos perrengues:

  • Use a versão certa para o seu chip exato. O mesmo "R36S" ou "Anbernic" pode ter revisões de hardware diferentes, e gravar a imagem errada faz o aparelho não inicializar. Não é um dano permanente — você regrava com a imagem correta — mas é a causa número um de susto. Confira o modelo e a revisão antes de baixar.
  • Faça backup antes de mexer. Se o cartão original tem dados (saves, configurações), copie tudo pro computador antes de regravar. Gravar uma imagem apaga o cartão inteiro, então o que não estiver salvo em outro lugar se perde.

Um terceiro cuidado é com o próprio cartão: gravar um sistema num cartão ruim ou falsificado é pedir para ter travamentos e corrupção depois. Vale o mesmo conselho de sempre — cartão de marca confiável, classe A2, testado. Com a imagem certa, um backup feito e um bom cartão, o pior cenário possível é ter que regravar e tentar de novo.

Prós e cuidados

Vale a pena ser honesto sobre os dois lados.

A favor:

  • Experiência muito melhor que o firmware de fábrica.
  • Mais jogos rodando, mais recursos, interface decente.
  • Processo reversível: é só regravar o cartão.

Cuidados:

  • Use sempre a imagem do projeto oficial do firmware, não versões aleatórias de terceiros.
  • Confira que o firmware é o certo para o seu modelo exato. Instalar o firmware errado não estraga o hardware, mas o aparelho não vai inicializar.
  • Sobre garantia: esses handhelds chineses, na prática, não têm garantia oficial robusta no Brasil, e o firmware fica no cartão, não na placa. O risco real de "perder garantia" é baixo justamente por isso.

Nota

Custom firmware muda o sistema, não os jogos. Sobre de onde vêm as ROMs e a questão da legalidade, mantenha o uso responsável (cópia dos seus próprios jogos, homebrew, domínio público). Detalhamos isso no texto sobre o que é emulação e a legalidade.

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Perguntas frequentes

Preciso trocar o firmware do meu handheld?

Não é obrigatório. Se o sistema de fábrica te atende, pode usar tranquilo. Mas se você sente que o aparelho é "burro", lento ou desorganizado, o custom firmware costuma resolver e melhora muito a experiência. A maioria dos entusiastas troca.

É difícil ou arriscado instalar?

É mais fácil do que parece. Como o sistema fica no cartão de memória, todo o processo é gravar um cartão pelo computador, sem abrir o aparelho. O risco de danificar o hardware é baixíssimo, e qualquer erro se resolve regravando o cartão. Comece seguindo um tutorial específico do seu modelo.

Qual é o melhor custom firmware?

Não existe um melhor absoluto, existe o certo para o seu aparelho. GarlicOS e muOS para Anbernic, Onion OS para Miyoo Mini, ArkOS para R36S e chips Rockchip. Escolha pela família do seu console, não pela fama do nome.

Posso instalar o mesmo firmware em qualquer handheld?

Não. Cada firmware é feito para chips e modelos específicos. Onion OS só roda em Miyoo Mini, ArkOS em aparelhos Rockchip, e assim por diante. Sempre confira a lista de compatibilidade do projeto antes de gravar.

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Rafael Tanaka

Editor de consoles retrô e emulação

Rafael Tanaka mexe com emulação e coleciona portáteis desde a era do PSP. No RetroPortátil ele testa cada handheld na mão — Anbernic, Miyoo, Powkiddy, Retroid, R36S — e escreve reviews honestos, comparativos lado a lado e tutoriais de firmware e configuração, sempre com foco em ajudar o gamer brasileiro a escolher o aparelho certo para o seu bolso e para os sistemas que quer emular.

Editor do RetroPortátil, site independente sobre consoles retrô portáteis. O site usa links de afiliado da Amazon, o que não influencia as análises ou recomendações.

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