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Consoles

R36S Vale a Pena? Review Honesto do Handheld Mais Barato

23 de junho de 20269 min de leitura
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O R36S é o handheld que mais aparece naquelas listas de videogame retrô baratinho e, não por acaso, é o que mais gera dúvida. Preço imbatível, visual transparente nostálgico, promessa de rodar milhares de jogos. Será que entrega? A resposta curta é: sim, vale a pena, mas com ressalvas importantes que ninguém te conta antes da compra.

Este review é honesto: vou mostrar onde o R36S brilha, onde ele decepciona e, principalmente, o cuidado decisivo na hora de comprar para não levar gato por lebre.

Preço imbatível: o grande trunfo

O argumento número um do R36S é o preço. Ele costuma sair entre R$180 e R$300, sendo um dos pontos de entrada mais baratos do hobby. Por esse valor, você leva um portátil que roda toda a era clássica dos videogames. É difícil bater esse custo-benefício, e é por isso que ele virou febre como primeiro handheld e como presente.

Para colocar em perspectiva: pelo preço de um jogo novo de console atual, você leva um aparelho inteiro capaz de rodar milhares de clássicos. Para quem cresceu com essa biblioteca ou quer conhecer a história dos videogames, é uma porta de entrada quase irresistível. Mas barato cobra um preço em outras áreas, e é aí que mora a conversa de verdade.

Tela, sistema e o que o R36S roda

O R36S tem uma tela de 3,5 polegadas e roda Linux através do ArkOS, um sistema personalizado leve e muito usado na comunidade de emulação. Por dentro ele usa um chip Rockchip de baixo custo, e se você quer entender como essa família se compara aos rivais, vale o nosso panorama de chips Allwinner vs Rockchip nos handhelds. O ArkOS é estável, organiza bem os jogos e é parte do motivo de o R36S ser tão querido.

O que ele roda com tranquilidade:

  • 8 e 16 bits: NES, SNES, Master System, Mega Drive. Liso.
  • Portáteis: Game Boy, Game Boy Color, Game Boy Advance. Perfeito.
  • Arcade clássico: boa parte dos fliperamas roda bem.
  • PlayStation 1: roda a maioria dos jogos. É o teto dele.

O que NÃO roda: PSP, Nintendo 64 pesado, Dreamcast e, claro, PS2 estão fora. O R36S é um portátil de retrô clássico até PS1. Se você quer PSP ou PS2, precisa de um portátil Android, como mostramos no guia de emulação de PS2. Não compre R36S esperando rodar consoles mais novos.

Vale dizer que, dentro do que ele se propõe, o desempenho é honesto. Os clássicos de 16 bits rodam liso, o GBA fica impecável e a maioria dos jogos de PS1 roda numa boa, com alguns títulos mais pesados pedindo paciência. Para um aparelho dessa faixa de preço, ninguém pode reclamar do que ele entrega na era clássica.

Ergonomia e controles

O R36S tem um formato vertical confortável, com direcional e botões responsivos o bastante para jogos de plataforma e luta. Ele também conta com analógicos, o que ajuda em alguns jogos de PS1 em 3D, ainda que não sejam os analógicos mais precisos do mercado. Para o tipo de jogo que ele roda, os controles dão conta do recado sem frustração.

O GRANDE cuidado: variação de lote e clones

Aqui está a parte mais importante deste review, e o motivo de eu insistir em comprar com atenção. O R36S não é fabricado por uma única empresa com controle de qualidade rígido. Existem vários lotes e clones circulando, e a qualidade varia bastante de um para outro.

O ponto mais crítico é a tela. Alguns lotes vêm com painéis IPS bons, com cores vivas e bom ângulo de visão. Outros vêm com telas inferiores (OCA ou painéis mais fracos), com cores lavadas e ângulo ruim. O aparelho é fisicamente igual por fora, mas a experiência muda completamente dependendo do painel que você recebeu.

Nota

A loteria da tela é real no R36S. Dois aparelhos idênticos por fora podem ter telas muito diferentes por dentro. Por isso, comprar de um anúncio confiável faz toda a diferença.

Como se proteger:

  • Compre de anúncio bem avaliado, com muitas avaliações recentes e positivas mencionando a qualidade da tela.
  • Leia os comentários procurando relatos sobre o painel e o lote recebido.
  • Desconfie de preço bom demais: clones piores costumam ser os mais baratos.

Comprar com cuidado é o que separa uma experiência ótima de uma decepção. Não economize uns trocados num anúncio duvidoso.

Construção e bateria

A construção é honesta para o preço: plástico simples, leve, com aquele charme da carcaça transparente. Não espere acabamento premium nem botões de luxo — é um aparelho de entrada e isso aparece. Mas para jogar deitado no sofá, cumpre o papel.

Os botões e o direcional variam um pouco de lote para lote, assim como a tela. Em geral respondem bem para os jogos clássicos, mas é o tipo de coisa em que aparelhos mais caros, como os da Anbernic, levam vantagem em consistência. Se você é exigente com a sensação dos controles, ajuste a expectativa: o R36S entrega o suficiente, não o excepcional.

A bateria rende bem nos jogos clássicos, garantindo boas horas de 8 e 16 bits. Jogos de PS1, mais pesados, reduzem a autonomia, mas ainda dá para jogar bastante. Para um portátil dessa faixa de preço, a bateria não decepciona, e o carregamento por USB-C facilita levar um power bank junto em viagens.

Outro ponto a favor: o R36S é pequeno e leve, cabendo no bolso com tranquilidade. Ele tem aquele apelo de aparelho que você joga deitado, no ônibus ou esperando numa fila, sem precisar carregar nada pesado. É exatamente o que se espera de um portátil de entrada.

Por que o cartão de memória é tão importante

Esse é o detalhe que muita gente ignora e depois reclama que o R36S trava. O R36S roda o sistema e os jogos a partir de um cartão microSD. Se o cartão for ruim ou falsificado, o sistema fica lento, os jogos demoram para carregar e, pior, seus saves podem corromper.

Investir num cartão microSD de boa marca e capacidade adequada é o melhor upgrade que você pode dar ao R36S. É barato e resolve a maioria dos problemas de desempenho e estabilidade. Para a maioria das pessoas, um cartão de 128 GB já é folgado: cabe a biblioteca clássica inteira e ainda sobra espaço. Se você quer entender melhor como escolher, temos um guia dedicado ao melhor cartão de memória para emulação.

Dica

Não use o cartão mais baratinho que encontrar nem cartão de origem duvidosa. Um cartão microSD bom evita travamentos, perda de saves e dor de cabeça. É o acessório que mais melhora a experiência.

Depois que o aparelho chegar, o próximo passo é montar sua biblioteca. Temos um passo a passo completo em como colocar jogos no R36S, que mostra a forma certa de organizar tudo sem corromper o cartão.

Prós e contras

Prós:

  • Preço imbatível, um dos mais baratos do mercado
  • Roda toda a era clássica até PS1
  • ArkOS estável e bem organizado
  • Visual transparente nostálgico e bateria honesta
  • Ótimo como primeiro handheld ou presente

Contras:

  • Variação de lote e clones: loteria de tela
  • Construção plástica simples
  • Para no PS1: nada de PSP, N64 pesado ou PS2
  • Depende de um bom cartão de memória para funcionar bem

Para quem é o R36S

O R36S é perfeito para quem quer entrar na emulação portátil gastando pouco, para quem busca um primeiro handheld sem grandes pretensões, e como presente para alguém que curte os clássicos. É também uma ótima forma de experimentar o hobby antes de partir para aparelhos mais caros.

Se você comprar de um anúncio confiável e colocar um bom cartão, o R36S entrega muito mais do que o preço sugere. Para comparar com o concorrente mais óbvio, vale ler o nosso R36S vs Anbernic RG35XX. E se você está de olho no irmão menor da própria família, o nosso review do R35S mostra o que muda na versão mais compacta e baratinha.

Para quem ele não é indicado: se você quer acabamento premium, garantia sólida e nada de loteria de hardware, ou se sonha em rodar PSP e PS2, o R36S vai decepcionar. Nesses casos, vale subir para um Anbernic mais bem construído ou ir direto para um portátil Android. O R36S é a escolha do custo-benefício extremo, com tudo de bom e de ruim que isso carrega.

Veredito: vale a pena?

Sim, o R36S vale a pena para o público certo. Se você entende que está comprando um portátil de entrada, aceita a loteria de lote comprando com cuidado e coloca um cartão de qualidade, vai ter em mãos um aparelho que diverte muito e custa pouco. É difícil achar tanto retrô por tão pouco dinheiro.

O segredo é alinhar a expectativa: ele é um ótimo PS1-para-baixo barato, não um milagre que roda tudo. Com essa visão, dificilmente você se decepciona.

R36S

R$ 180–300

Custo-benefício extremo — o portátil retrô mais barato que vale a pena para começar

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Perguntas frequentes

O R36S roda PSP?

Não de forma decente. Ele roda Linux (ArkOS) e para no PlayStation 1. PSP fica no limite ou trava. Para PSP, mire num portátil Android mais potente.

Como saber se a tela do R36S é boa?

Não dá para ter 100% de certeza antes de receber, por causa da variação de lote. A melhor proteção é comprar de um anúncio bem avaliado, com muitos comentários recentes elogiando a tela, e desconfiar de preços baixos demais, que costumam ser clones piores.

O R36S vem com jogos?

Em geral ele vem com um cartão recheado de jogos e emuladores já configurados. A quantidade e a qualidade variam por lote. De qualquer forma, você pode (e deve) trocar por um cartão melhor e montar sua própria biblioteca.

Preciso comprar cartão de memória separado?

O R36S costuma vir com um cartão, mas trocá-lo por um cartão microSD de boa marca é o melhor investimento que você pode fazer. Cartão ruim trava o sistema e corrompe saves. Um cartão de qualidade resolve a maioria dos problemas, da velocidade de carregamento à integridade dos seus saves.

Onde comprar no Brasil

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Rafael Tanaka

Editor de consoles retrô e emulação

Rafael Tanaka mexe com emulação e coleciona portáteis desde a era do PSP. No RetroPortátil ele testa cada handheld na mão — Anbernic, Miyoo, Powkiddy, Retroid, R36S — e escreve reviews honestos, comparativos lado a lado e tutoriais de firmware e configuração, sempre com foco em ajudar o gamer brasileiro a escolher o aparelho certo para o seu bolso e para os sistemas que quer emular.

Editor do RetroPortátil, site independente sobre consoles retrô portáteis. O site usa links de afiliado da Amazon, o que não influencia as análises ou recomendações.

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