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Consoles

Anbernic RG35XX: Review Completo do Custo-Benefício

23 de junho de 20269 min de leitura
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O Anbernic RG35XX é provavelmente o handheld retrô mais recomendado para quem está começando. Ele acertou numa fórmula difícil: tela boa, tamanho de bolso, preço justo e uma comunidade enorme criando firmwares que deixam ele cada vez melhor. Mas ele não é perfeito, e tem uma ausência importante que pode pesar dependendo do que você procura.

Este review vai direto ao ponto: o que o RG35XX faz bem, onde ele decepciona, o que ele roda de verdade e se vale a pena pagar a mais pela versão H.

Design e construção

O RG35XX tem um formato vertical clássico, no estilo Game Boy, com acabamento melhor do que o preço sugere. Cabe na palma da mão e no bolso, é leve e tem aquele charme retrô que combina com o tipo de jogo que ele roda. Os botões têm um clique gostoso e o direcional é preciso, o que faz diferença em plataforma e luta.

A tela é o grande destaque. São 3,5 polegadas na proporção 4:3, exatamente a proporção dos consoles antigos. Isso significa que SNES, Mega Drive e Game Boy Advance aparecem na proporção correta, sem aquelas bordas pretas gigantes nem imagem esticada. Para retrô clássico, é a proporção ideal, e a tela tem cores vivas e bom brilho.

Um detalhe que conquista quem pega o RG35XX na mão é a sensação de qualidade. O peso é bem distribuído, o aparelho não parece oco e os botões de ombro respondem bem. Para um portátil dessa faixa de preço, a Anbernic entregou um acabamento que envergonha aparelhos mais caros. Não é um produto de luxo, mas passa longe de parecer brinquedo descartável.

O chip H700 e o que o RG35XX roda

Por dentro, ele usa o chip Allwinner H700, o mesmo de vários portáteis da linha. É um chip Linux de entrada, então alinhe a expectativa: o forte dele é o retrô clássico, e ele faz isso muito bem.

O que roda liso:

  • 8 e 16 bits: NES, SNES, Master System, Mega Drive, PC Engine. Perfeito.
  • Portáteis antigos: Game Boy, Game Boy Color, Game Boy Advance. Impecável.
  • Arcade: a maioria dos jogos de fliperama clássico (CPS1, CPS2, Neo Geo) roda bem.
  • PlayStation 1: roda a maioria dos jogos com bom desempenho. É o teto dele.

O que NÃO roda bem: PSP, Nintendo 64 e Dreamcast ficam no limite ou simplesmente não rodam. E PS2 está completamente fora — para isso você precisa de um portátil Android, como explicamos no guia de emulação de PS2. O RG35XX é, antes de tudo, um campeão de retrô até PS1.

Nota

O H700 é um chip Linux de entrada. Ele não foi feito para PSP ou PS2. Se o seu objetivo são jogos de PSP ou consoles mais novos, o RG35XX não é a escolha certa.

Custom firmware: onde o RG35XX brilha

O sistema que vem de fábrica é funcional, mas é trocando o firmware que o RG35XX vira outro aparelho. A comunidade desenvolveu sistemas personalizados que melhoram interface, compatibilidade e organização da biblioteca.

Os dois mais populares são:

  • GarlicOS: o queridinho da comunidade, com interface limpa, boa organização de jogos, box arts bonitas e ótima estabilidade. É o que a maioria instala.
  • MuOS: mais moderno e em constante atualização, com bom suporte e visual agradável.

Trocar o firmware é mais simples do que parece: basicamente você grava a imagem num cartão microSD e pluga. Vale muito a pena, porque a experiência salta de funcional para excelente. Se quiser entender as opções com calma, leia o nosso guia de custom firmwares para handhelds.

O segredo da arquitetura de dois cartões também ajuda bastante aqui. Muita gente usa um cartão pequeno só para o sistema operacional e um segundo cartão maior só para as ROMs. Isso deixa a organização mais limpa, facilita backup e permite trocar de firmware sem mexer na sua biblioteca de jogos. O RG35XX tem dois slots de microSD justamente para isso, o que é um baita diferencial frente a concorrentes de slot único.

Dica

Compre um cartão microSD de qualidade e use um cartão separado para o firmware. Cartão ruim trava o sistema, corrompe save e estraga a experiência. É o acessório que mais impacta o desempenho.

Bateria

A bateria do RG35XX rende bem para o tipo de jogo que ele roda. Em sessões de 8 e 16 bits, você tira várias horas de uso. Jogos de PS1, que exigem mais do chip, derrubam a autonomia, mas ainda assim dá para jogar bastante antes de precisar recarregar. Carrega por USB-C, o que é prático e dispensa carregadores proprietários. No geral, autonomia não é uma fraqueza dele.

Uma dica de quem usa no dia a dia: baixar o brilho da tela um ou dois níveis estende bem a duração da carga sem prejudicar a experiência. E como ele recarrega por USB-C, qualquer power bank serve para uma viagem mais longa, o que é ótimo para levar na mochila.

Quem deve considerar acessórios

O RG35XX funciona muito bem sozinho, mas dois acessórios fazem diferença real. O primeiro é um cartão microSD de qualidade, que evita travamentos e perda de saves, como já mencionei. O segundo é uma case de proteção: o aparelho é compacto e vai junto na mochila ou no bolso, então uma capa rígida protege a tela de riscos e quedas. Não são itens obrigatórios, mas custam pouco e prolongam a vida útil do seu portátil.

A grande ausência: sem analógico

Aqui está o ponto que mais incomoda. O RG35XX original não tem controle analógico. Para a esmagadora maioria dos jogos clássicos (que usavam só o direcional), isso não faz a menor diferença. Mas alguns títulos de PlayStation 1 e jogos em 3D pedem analógico, e aí você sente falta. Se o seu plano é jogar muito PS1 com câmera 3D, isso pesa.

Na prática, pense no tipo de biblioteca que você quer. Se o foco é Super Nintendo, Mega Drive, GBA e os clássicos 2D de PS1 (jogos de luta, RPGs em turnos, plataformas), a ausência de analógico passa despercebida. Agora, se você sonha em jogar os 3D da era PlayStation com controle de câmera, vai querer um aparelho com analógicos. É uma limitação que só atrapalha um nicho específico, mas é bom saber antes de comprar.

RG35XX vs RG35XX H: qual escolher

A Anbernic lançou a versão RG35XX H, que resolve justamente as limitações do original. As diferenças:

  • Formato horizontal, no estilo de um controle, mais confortável para sessões longas.
  • Dois controles analógicos, o que abre PS1 em 3D e melhora a ergonomia geral.
  • Wi-Fi, ausente no original, útil para netplay e transferência de jogos.

Em resumo: o RG35XX original é o vertical compacto e charmoso para retrô puro; o RG35XX H é a versão completa para quem quer analógicos e conforto. Se você joga muito PS1 ou prefere o formato de controle, o H vale a diferença de preço. Para entender toda a linha, vale o nosso guia qual Anbernic comprar.

Prós e contras

Prós:

  • Tela 4:3 de 3,5 polegadas excelente para retrô clássico
  • Acabamento e botões acima do preço
  • Comunidade gigante e firmwares como GarlicOS e MuOS
  • Tamanho de bolso e bateria honesta
  • Ótimo custo-benefício para começar

Contras:

  • Sem controle analógico (no original)
  • Para no PS1: nada de PSP, N64 ou PS2
  • Experiência de fábrica precisa de custom firmware para brilhar
  • Sem Wi-Fi no modelo original

Como ele se compara aos rivais

No campo dos verticais de 3,5 polegadas, o concorrente direto do RG35XX é o Miyoo Mini Plus. Os dois rodam praticamente a mesma biblioteca, mas o Miyoo é menor e tem o Onion OS, enquanto o RG35XX tem mais bateria e o ecossistema da Anbernic. Já contra o R36S, o RG35XX ganha em acabamento, consistência de qualidade e suporte de firmware, embora custe um pouco mais. Em resumo, ele se posiciona como o vertical equilibrado: nem o mais barato, nem o menor, mas talvez o mais redondo do conjunto.

Veredito: vale a pena?

Sim, e muito, se você quer um portátil para reviver clássicos de 8, 16 e 32 bits com qualidade e charme. O RG35XX entrega uma experiência ótima por um preço acessível, especialmente depois de instalar o GarlicOS. É o primeiro handheld ideal para quem está entrando no hobby e quer jogar Super Nintendo, Mega Drive, GBA e PS1 sem dor de cabeça.

Se você precisa de analógicos, de Wi-Fi ou pretende jogar PS1 em 3D, suba para o RG35XX H. E se o foco é PSP ou PS2, o RG35XX não é para você — mire num portátil Android.

Anbernic RG35XX

R$ 350–550

O custo-benefício que popularizou o hobby — tela 3.5" e Linux para 8/16-bit e PS1

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Perguntas frequentes

O Anbernic RG35XX roda PSP?

Não de forma decente. O chip H700 é Linux de entrada e para no PlayStation 1. PSP fica no limite ou trava. Se PSP é prioridade, escolha um portátil Android mais potente.

Preciso instalar custom firmware no RG35XX?

Não é obrigatório, mas é altamente recomendado. O sistema de fábrica funciona, mas o GarlicOS ou o MuOS transformam a experiência: interface melhor, mais compatibilidade e organização da biblioteca. É um processo simples e que vale cada minuto.

Qual a diferença entre o RG35XX e o RG35XX H?

O original é vertical, sem analógico e sem Wi-Fi. O RG35XX H é horizontal (formato de controle), tem dois analógicos e Wi-Fi. O H é mais confortável e roda melhor PS1 em 3D; o original é mais compacto e charmoso para retrô puro.

O RG35XX vem com jogos?

Em geral ele vem com um cartão com alguns jogos e emuladores, mas a experiência boa de verdade vem ao trocar o firmware e adicionar suas próprias ROMs num cartão microSD de qualidade. Não conte com a configuração de fábrica como definitiva, e reserve um tempinho para instalar o GarlicOS e montar a sua biblioteca: é o que transforma o aparelho.

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Rafael Tanaka

Editor de consoles retrô e emulação

Rafael Tanaka mexe com emulação e coleciona portáteis desde a era do PSP. No RetroPortátil ele testa cada handheld na mão — Anbernic, Miyoo, Powkiddy, Retroid, R36S — e escreve reviews honestos, comparativos lado a lado e tutoriais de firmware e configuração, sempre com foco em ajudar o gamer brasileiro a escolher o aparelho certo para o seu bolso e para os sistemas que quer emular.

Editor do RetroPortátil, site independente sobre consoles retrô portáteis. O site usa links de afiliado da Amazon, o que não influencia as análises ou recomendações.

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