Emular o Nintendo 3DS num handheld é um dos assuntos mais procurados e, ao mesmo tempo, um dos que mais geram dúvida, porque o cenário mudou bastante nos últimos anos. Se você pesquisou sobre o assunto, provavelmente esbarrou no nome Citra e descobriu que ele não está mais por aí. Calma: dá para emular 3DS, sim, só que hoje o caminho passa por outros nomes.
Aqui eu explico o que era o Citra e por que ele sumiu, quais são os emuladores que a comunidade usa hoje (o Azahar e o Lime3DS), que tipo de handheld dá conta do 3DS, e o passo a passo para colocar a sua biblioteca para rodar, sempre a partir dos seus próprios jogos e do seu próprio console. Vamos com responsabilidade, porque o tema é sensível.
O que era o Citra e por que ele acabou
O Citra foi, por muitos anos, o principal emulador de Nintendo 3DS. Ele rodava a biblioteca do portátil da Nintendo em PC e Android, com bons resultados, aumento de resolução e suporte ao efeito 3D. Para muita gente, Citra era sinônimo de emular 3DS.
Em março de 2024, porém, o projeto Citra foi descontinuado após uma ação da Nintendo. O desenvolvimento oficial parou e o app deixou de ser distribuído pelos canais originais. Isso pegou a comunidade de surpresa e, por um tempo, deixou todo mundo sem saber o que usar.
A natureza do código, no entanto, permitiu que a comunidade desse continuidade ao trabalho por meio de forks, ou seja, novos projetos que partem do código que já existia e seguem em frente. É daí que vêm os emuladores que usamos hoje.
Nota
Esse é um tema sensível, e a gente trata dele com responsabilidade. Emular 3DS exige que você tenha os seus próprios jogos e o seu próprio console. O RetroPortátil não distribui, não indica e não linka sites piratas de jogos ou firmware. Para a discussão completa sobre a legalidade, leia emulação é legal?.
Azahar e Lime3DS: os forks de hoje
Depois do fim do Citra, dois nomes assumiram a dianteira:
- Azahar: é hoje o fork mais ativo e o caminho recomendado para a maioria das pessoas. Ele nasceu da fusão do Citra com o Lime3DS, juntando esforços da comunidade num único projeto bem mantido. Roda em Android e PC, herda o que o Citra tinha de bom e segue recebendo melhorias.
- Lime3DS: foi um dos primeiros forks a aparecer depois do fim do Citra e ajudou a manter a chama acesa. Boa parte da energia dele acabou indo para o Azahar com a fusão, mas o nome ainda aparece bastante nas discussões da comunidade.
Na prática, se você quer começar hoje, Azahar é a resposta curta. É para onde a comunidade convergiu e onde o desenvolvimento está mais vivo.
Nota
Você ainda vai ver muito conteúdo antigo na internet citando o Citra como se ele estivesse ativo. Tutoriais, vídeos e prints de 2023 e antes falam do Citra naturalmente. A lógica de uso (apontar jogos, configurar telas, mapear controles) continua valendo, mas o app que você deve instalar hoje é o Azahar, não o Citra. Tenha isso em mente ao seguir guias mais velhos.
Requisitos: que handheld roda 3DS?
Emular 3DS é pesado. Não pelo que o console era na época, mas porque recriar a arquitetura dele e ainda subir a resolução exige bastante do processador. Isso descarta os handhelds Linux baratos e mira nos aparelhos Android potentes.
A régua, na prática, é um chip Snapdragon 865 ou superior (ou equivalentes fortes). Os candidatos que dão conta do 3DS incluem:
- [Retroid Pocket 5](/blog/retroid-pocket-5-review): com o Snapdragon 865 e tela AMOLED de 5,5 polegadas, é uma das melhores opções custo-benefício para 3DS. Roda boa parte da biblioteca com fluidez.
- Ayn Odin 2: equipado com o Snapdragon 8 Gen 2, é o topo de linha entre os handhelds Android. Para 3DS, ele tem músculo de sobra, sendo a escolha de quem não quer abrir mão de nada.
- Outros Android de ponta, com chips modernos, também conseguem, mas vale sempre conferir o chip antes de comprar pensando em 3DS.
Handhelds Linux de entrada, como R36S e RG35XX, não rodam 3DS. Eles são ótimos para sistemas mais leves, mas o 3DS está fora do alcance deles. Se 3DS é prioridade, vá direto para um Android forte.
Passo a passo: emulando 3DS com responsabilidade
1. Instale o fork (Azahar)
- Baixe o Azahar a partir dos canais oficiais do projeto.
- Instale no seu handheld Android e abra o app pela primeira vez.
- Na primeira execução, ele pede permissões de acesso a arquivos para enxergar seus jogos.
2. Aponte para os seus próprios dumps
Aqui está o ponto inegociável: você precisa dos seus próprios arquivos, extraídos do seu Nintendo 3DS.
- Jogos: os arquivos de jogo de 3DS (formatos como `.3ds` ou `.cia`) devem ser dumps que você fez dos seus próprios cartuchos e jogos digitais.
- Firmware e arquivos do sistema: alguns recursos do emulador pedem arquivos de firmware que vêm do seu console. Esses dumps também saem do seu 3DS.
- Aponte o emulador para a pasta onde você guardou esses arquivos, e a biblioteca aparece na tela inicial.
Reforçando o que já foi dito: tudo precisa sair do seu console e dos seus jogos. O RetroPortátil não distribui nada e não indica onde baixar. Se você não tem um 3DS para extrair esses arquivos, a emulação de 3DS não é para você no momento.
3. Acomode as duas telas do 3DS
Assim como o DS, o 3DS tinha duas telas: a superior (que exibia a ação, com o efeito 3D no console original) e a inferior, sensível ao toque, usada para mapas, menus e itens. Num handheld de tela única, você decide como mostrar as duas:
- Empilhadas na vertical, fiel ao formato original, com as duas visíveis o tempo todo.
- Tela principal grande com a secundária menor, ideal para jogos em que a tela de baixo é pouco usada.
- Layouts personalizados, ajustando tamanho e posição de cada tela conforme o jogo.
O toque da tela de baixo é feito direto no touchscreen do handheld Android, o que funciona bem para menus e mecânicas pontuais. Quem vem do DS vai reconhecer a lógica; nosso guia de como emular Nintendo DS com o DraStic explica esse jogo de telas com calma, e vale a leitura porque os conceitos se aplicam aqui também.
4. Configure os controles
Num handheld Android dedicado, os botões físicos (analógicos, direcionais, A/B/X/Y, gatilhos) são mapeados automaticamente na maioria dos casos. Vale entrar no menu de controles na primeira vez para conferir, especialmente o segundo analógico (o C-stick do 3DS) e os gatilhos ZL/ZR, que alguns jogos usam.
Dica
Comece testando com um jogo que você conhece bem e que não seja dos mais pesados. Isso ajuda a calibrar suas expectativas sobre o desempenho do seu aparelho antes de partir para os títulos mais exigentes da biblioteca, que pedem mais do processador.
Resolução, 3D e save states
Uma das maiores graças de emular 3DS é poder subir a resolução interna muito além do que o console original entregava. Aqueles jogos que na tela pequenininha do 3DS pareciam um pouco serrilhados ganham nitidez de outro mundo num handheld com tela boa. É comum dobrar ou triplicar a resolução e ver o jogo renascer, desde que o seu aparelho tenha fôlego.
Sobre o famoso efeito 3D, o que dava nome ao console: ele não faz muito sentido num handheld de tela única comum, então a maioria das pessoas joga em 2D mesmo, sem perda nenhuma de jogabilidade. Os forks ainda oferecem opções relacionadas ao 3D para quem tem hardware específico, mas, na prática, jogar plano é o caminho normal e mais confortável.
Por fim, assim como nos outros emuladores, você tem save states para salvar e carregar o estado exato do jogo a qualquer momento. É um recurso que combina demais com o uso portátil, em que você pega e larga o aparelho o tempo todo. Combine os save states com os saves normais do jogo para não correr riscos.
O que esperar de desempenho
A emulação de 3DS amadureceu, mas ainda é a mais exigente entre os portáteis da Nintendo. Em aparelhos Snapdragon 865, muitos jogos rodam muito bem, enquanto alguns dos mais pesados podem pedir ajustes ou um aparelho mais forte, como o Ayn Odin 2. É uma fronteira que continua avançando conforme os forks evoluem.
Vale ajustar as expectativas: 3DS não é como emular Game Boy Advance, em que qualquer aparelho roda tudo a 100%. Aqui você está na fronteira da emulação portátil, então é normal que um ou outro jogo peça paciência, um ajuste de configuração ou simplesmente um handheld mais parrudo. A boa notícia é que a maioria dos títulos populares já roda muito bem nos aparelhos Snapdragon 865 que recomendei.
Se o seu objetivo é ter um único aparelho que vá do leve ao 3DS, um Android potente é o caminho. Para entender melhor onde o 3DS se posiciona frente aos outros sistemas e quais arquivos você precisa em cada caso, vale também o nosso guia de BIOS do RetroArch, que organiza essa parte muitas vezes confusa da emulação.
Retroid Pocket 5
R$ 1.400–2.000Android premium com tela AMOLED 5.5" e Snapdragon — emula PS2, GameCube e Switch
Ver na Amazon (abre em nova aba)Link de afiliado — você apoia o RetroPortátil sem pagar nada a mais.
Perguntas frequentes
O Citra ainda funciona?
O Citra foi descontinuado em março de 2024 após uma ação da Nintendo, e o desenvolvimento oficial parou. Versões antigas que você já tenha podem até abrir, mas não recebem mais melhorias nem correções. Hoje a comunidade usa os forks, principalmente o Azahar, que é o caminho recomendado para começar do zero.
O que é o Azahar?
O Azahar é o fork mais ativo de emulador de 3DS atualmente. Ele nasceu da fusão do Citra com o Lime3DS, juntando os esforços da comunidade num único projeto bem mantido. Roda em Android e PC, herda o que o Citra tinha de bom e segue recebendo atualizações. É a resposta curta para quem quer emular 3DS hoje.
Qual handheld roda 3DS?
3DS é pesado, então você precisa de um Android potente, com chip Snapdragon 865 ou superior. O Retroid Pocket 5 é uma ótima opção custo-benefício, e o Ayn Odin 2, com Snapdragon 8 Gen 2, é o topo de linha. Handhelds Linux baratos, como R36S e RG35XX, não dão conta do 3DS.
Precisa do firmware do 3DS?
Alguns recursos do emulador pedem arquivos de firmware, e esses dumps vêm do seu próprio console. Tanto os jogos quanto o firmware precisam ser extraídos do seu 3DS e dos seus jogos. O RetroPortátil não distribui nem indica onde baixar esses arquivos: o caminho legal é ter o console e os jogos.

