Em quase todo lugar do mundo, o Master System perdeu feio pro Nintendinho e virou nota de rodapé da história dos 8 bits. No Brasil, aconteceu o oposto: a Tec Toy pegou o console da Sega, fez dele um fenômeno e o manteve vivo por décadas, com jogos exclusivos que nenhum outro país teve. Pra muito brasileiro dos anos 90, o Master System não foi um console qualquer, foi O console. E reviver esse catálogo hoje é mexer direto na memória afetiva.
A melhor parte é que o Master System é leve pra caramba de emular. Qualquer handheld retrô, até o mais baratinho, roda a biblioteca inteira sem nenhum esforço, com som e imagem impecáveis. Um R36S, que custa quase nada, é mais que suficiente pra colocar toda essa nostalgia no bolso. Aqui vão os melhores jogos pra encher o cartão, dos clássicos mundiais aos exclusivos verde-amarelos.
Nota
A forma legal de jogar é fazendo o dump dos seus próprios cartuchos ou usando homebrews e jogos de domínio público. Use sempre ROMs de jogos que você possui, como cópia de segurança das suas mídias. O RetroPortátil não distribui nem indica sites de ROMs piratas.
Os clássicos que todo mundo jogou
Esses são os jogos que vinham na memória do console ou que rodavam na casa de todo mundo. A base obrigatória de qualquer coleção de Master System.
Sonic the Hedgehog. O ouriço azul também correu no 8 bits, e a versão de Master System é diferente da de Mega Drive, com fases próprias e level design pensado pro hardware mais simples. É mais lento e mais focado em plataforma que velocidade pura, mas tem um charme próprio e uma trilha sonora deliciosa. Marco absoluto do console no Brasil.
Alex Kidd in Miracle World. Por anos, esse foi o jogo que vinha embutido na memória do Master System, então praticamente todo brasileiro que teve o console jogou Alex Kidd antes de qualquer outra coisa. É um platformer cheio de personalidade, com aquele pedra-papel-tesoura antes dos chefes que ninguém esquece. O mascote não oficial da Sega antes do Sonic e pura nostalgia nacional.
Wonder Boy III: The Dragon's Trap. Um dos melhores jogos do console em qualquer região, ponto. É um aventura de ação e exploração onde você se transforma em diferentes animais, cada um com habilidades próprias, num mundo aberto pra desbravar. Profundo, bonito e à frente do seu tempo, ganhou até remake moderno. Se você só jogar um Master System, que seja esse.
Psycho Fox. Plataforma colorida e divertidíssima com uma raposa que troca de forma em macaco, hipopótamo e tigre. Tem aquele clima despreocupado e o controle gostoso que faz você querer continuar. Era um dos queridinhos das locadoras brasileiras e segura a diversão até hoje. Subestimado fora do Brasil, amado por aqui.
Castle of Illusion Starring Mickey Mouse. A Sega tinha um talento especial pros jogos do Mickey, e essa versão de Master System é encantadora. Visual caprichado pro 8 bits, fases criativas e aquele toque de magia Disney. É curto e acessível, perfeito pra qualquer idade, e um exemplo de como o console fazia plataforma com classe. Atemporal.
Ação, luta e aventura
O Master System tinha um time forte de ação, com vários jogos que faziam frente ao que o Nintendinho oferecia, e às vezes superavam.
Shinobi. O ninja clássico da Sega num porte arcade afiadíssimo. Você resgata reféns, joga shurikens e enfrenta chefes carismáticos, com aquela dificuldade old-school que recompensa quem persiste. É um dos melhores jogos de ação do console e um nome que todo dono de Master System reconhece na hora. Puro arcade dos anos 80.
Golden Axe Warrior. Muita gente não sabe, mas o Master System tinha sua própria resposta ao Zelda, e ela é excelente. É um RPG de ação de cima pra baixo, com masmorras, itens pra coletar e exploração recompensadora, claramente inspirado em A Lenda de Zelda mas com identidade própria. Um dos segredos mais bem guardados da biblioteca, obrigatório pra quem ama aventura.
Golden Axe. O beat-em-up de fantasia que fez sucesso no fliperama ganhou um porte competente no Master System. Escolha entre o bárbaro, a amazona ou o anão e saia distribuindo pancada e magia. Perde alguns detalhes pro arcade, mas mantém a diversão e a possibilidade de jogar a campanha inteira no portátil. Clássico da Sega.
Aladdin / outros licenciados Disney. A parceria Sega e Disney rendeu vários jogos ótimos no console além do Castle of Illusion. Vale caçar os títulos baseados em desenhos da época, que costumavam ter produção bem acima da média do 8 bits. Eram febre nas locadoras e ainda hoje impressionam pelo capricho visual. Diversão garantida pra quem cresceu com esses personagens.
RPG e os jogos mais ambiciosos
Quando o assunto era jogo grande e ambicioso, o Master System tinha cartas na manga que o NES custava a igualar.
Phantasy Star. Uma obra-prima e um dos RPGs mais avançados do seu tempo, em qualquer console. Tinha masmorras em primeira pessoa com efeito 3D, uma protagonista mulher numa época em que isso era raríssimo, história de ficção científica e produção altíssima. É um jogo enorme e marcante, que sozinho justificava o console. Pilar da história dos RPGs.
Ys: The Vanished Omens. Um RPG de ação importado do Japão com aquele sistema de combate por colisão peculiar e uma trilha sonora lendária. É uma aventura gostosa de progredir, com chefes desafiadores e atmosfera envolvente. Menos conhecido por aqui, mas uma joia pra quem quer explorar o lado RPG do console além de Phantasy Star. Vale muito a descoberta.
Sonic the Hedgehog 2. A sequência do ouriço no 8 bits aposta em fases maiores e mais variadas, com a estreia do Tails e uma dificuldade que ficou famosa pelas fases de mota aquática. É mais exigente que o primeiro, mas igualmente charmoso e cheio de música boa. Outro pilar da fase de ouro do Master System brasileiro.
Os exclusivos brasileiros da Tec Toy
Aqui está o que torna o Master System único no mundo. A Tec Toy não só vendia o console como produzia jogos próprios, muitos deles conversões de jogos da Sega rebatizadas com personagens nacionais. É patrimônio cultural gamer do Brasil.
Mônica no Castelo do Dragão. Provavelmente o exclusivo brasileiro mais amado. A Tec Toy pegou Wonder Boy in Monster Land e o transformou numa aventura da Mônica, da Turma da Mônica, com direito ao coelho Sansão como arma. É um jogo de ação e RPG genuinamente bom, e ver a Mônica num castelo de dragão derretia o coração da garotada. Ícone absoluto da era Tec Toy.
Turma da Mônica em O Resgate. A sequência, também baseada na fórmula de Wonder Boy, traz mais personagens da turma jogáveis e fases inspiradas no universo do Maurício de Sousa. É outro marco da localização brasileira, mostrando como a Tec Toy entendia o público daqui. Pura nostalgia pra quem cresceu lendo os gibis e jogando no Master System.
Sapo Xulé / Geraldinho / Chapolim. A Tec Toy fez várias dessas conversões com personagens nacionais e licenças locais, como o Sapo Xulé (que reaproveitava jogos da Sega) e títulos baseados em personagens populares na TV brasileira. São curiosidades deliciosas, parte da identidade do Master System no Brasil e impossíveis de encontrar em qualquer outro país. Vale jogar nem que seja pela história.
Por que o Master System combina tanto com handheld
Reviver o Master System num portátil tem um sabor especial. Os jogos são leves, rodam liso em qualquer aparelho e têm partidas no ritmo ideal pra sessões curtas, exatamente o que um handheld pede. Com save state, você ainda contorna a falta de pontos de salvamento que punia tanta gente na época, finalmente zerando aqueles jogos que ficaram pela metade na infância.
Como o sistema é levíssimo, qualquer handheld dá conta com folga, então a escolha é só sobre o que você quer além de Master System. Um R36S, que custa pouquíssimo, roda toda essa biblioteca e ainda emula Mega Drive, SNES e PS1, sendo uma central retrô completa e baratíssima pra mergulhar na nostalgia. Se você quer algo com acabamento melhor e firmwares mais polidos, um Anbernic RG35XX faz o mesmo trabalho com mais requinte.
A escolha entre os dois é simples: o R36S é imbatível em preço e cumpre tudo, enquanto o RG35XX entrega construção mais caprichada e melhor experiência de software. Os dois rodam o catálogo inteiro do Master System sem piscar, então é uma decisão de orçamento e acabamento, não de potência.
Depois de escolher o aparelho, é só copiar os jogos. Se você nunca fez isso, o nosso passo a passo de como colocar jogos no R36S resolve rapidinho. E pra continuar enchendo o cartão de nostalgia oitentista, dá uma olhada nos melhores jogos de Mega Drive, o irmão mais potente do Master System que também foi gigante por aqui.
Perguntas frequentes
Qual handheld é melhor para jogar Master System?
Qualquer um serve, porque o Master System é levíssimo de emular. Pelo custo-benefício, o R36S é a melhor pedida: roda toda a biblioteca e ainda dá conta de Mega Drive, SNES e PS1 por um preço baixíssimo. Se você quer acabamento melhor e firmwares mais polidos, um Anbernic RG35XX é a alternativa mais refinada.
Dá pra jogar os exclusivos da Tec Toy num emulador?
Dá. Os jogos brasileiros da Tec Toy, como Mônica no Castelo do Dragão, são ROMs de Master System como qualquer outra e rodam normalmente nos emuladores do sistema. Eles são parte da história gamer do Brasil e impossíveis de encontrar em outros países, o que torna a coleção ainda mais especial pra quem cresceu por aqui.
Master System precisa de BIOS pra emular?
Não. O Master System roda sem BIOS na imensa maioria dos emuladores e handhelds. Basta copiar a ROM pra pasta certa do cartão e jogar. É um dos sistemas mais simples de configurar, perfeito pra quem está começando na emulação e quer matar a saudade rapidinho.
Por que o Master System foi tão grande no Brasil?
Porque a Tec Toy investiu pesado no console quando ele já tinha perdido força no resto do mundo, com marketing forte, preço acessível e jogos exclusivos de personagens nacionais. Isso criou uma geração inteira de brasileiros que cresceu com o Master System em vez do Nintendinho, deixando uma marca afetiva que persiste até hoje.

