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Comparativos

R36 Max vs Powkiddy X55: Qual Handheld Barato?

23 de junho de 20268 min de leitura
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Tem hora que dois handlheds baratos parecem rivais, mas no fundo respondem a desejos opostos. É exatamente o caso do R36 Max e do Powkiddy X55. Os dois rodam Linux, custam pouco e têm teto realista no PS1, mas a forma de cada um não poderia ser mais diferente: um é compacto, vertical e tem tela quadrada; o outro é grandão, horizontal e tem tela widescreen. Escolher entre eles é, na real, escolher dois jeitos opostos de jogar retrô barato.

Por isso este comparativo não é "qual tem a tela maior", e sim "qual formato e qual proporção de tela combinam com você". Vou colocar os dois lado a lado e dizer para qual perfil cada um faz sentido.

Specs lado a lado

Os dois jogam no mesmo time em termos de proposta: Linux, baratos, foco do 8/16-bit ao PS1. Mas a diferença salta aos olhos já no formato e na tela.

R36 Max

  • Tela IPS 4" quadrada (720x720, proporção 1:1)
  • Formato vertical, estilo Game Boy
  • Chip Rockchip RK3326, sistema Linux
  • Dois analógicos, gatilhos L1/L2/R1/R2
  • Bateria 4000mAh
  • Roda até PS1 com folga
  • Preço de clone, dos mais baratos da categoria

Powkiddy X55

  • Tela IPS 5,5" widescreen (1280x720)
  • Formato horizontal, estilo tablet de jogo
  • Chip Rockchip RK3566, sistema Linux (ArkOS/JELOS)
  • Dois analógicos, Wi-Fi
  • Áudio estéreo decente
  • Roda até PS1 com folga, indo um pouco além em alguns casos

Repare nos eixos que realmente separam os dois: formato (vertical compacto vs horizontal grandão), proporção de tela (quadrada 1:1 vs widescreen 16:9) e chip (RK3326 vs RK3566, sendo o do X55 um degrau acima). O X55 também traz Wi-Fi, o que abre portas para netplay e scraping de capas.

Dois jeitos opostos de jogar retrô barato

Antes de entrar nos detalhes, vale alinhar a expectativa: nenhum dos dois é aparelho de emulação pesada. Os dois são feitos para quem ama o retrô de verdade, do 8-bit ao PS1, e quer gastar pouco. Se o seu sonho é rodar PS2, GameCube ou Switch, você está olhando para a categoria errada, e deveria mirar num handheld Android para emulação.

Dentro dessa proposta econômica, eles não são versões maior e menor da mesma ideia, e sim duas ideias diferentes. O R36 Max é o handheld compacto e vertical, com tela quadrada que abraça o retrô clássico 4:3 e 1:1. O X55 é o tablet de jogo horizontal, com tela widescreen grande e mais nítida, e um chip um pouco mais forte. A decisão é menos sobre quanto você gasta e mais sobre que tipo de aparelho você quer na mão.

Formato e ergonomia

Aqui mora a diferença mais física entre os dois. O R36 Max é vertical, no estilo Game Boy: cabe melhor em uma mão, é mais discreto, vai com mais facilidade na mochila e até em bolsos maiores. O X55 é horizontal e grande, um verdadeiro "tablet de jogo", que ocupa as duas mãos esticadas e pede mais espaço para carregar.

Os dois têm dois analógicos, o que é importante para PS1 e jogos 3D leves que dependem de stick. Quem tem a mão maior e não liga para o tamanho tende a se sentir mais à vontade com o corpo largo do X55. Quem prioriza compacidade e jogar com pegada de Game Boy vai preferir o R36 Max. Não é melhor nem pior: é gosto de formato.

Nota

Nenhum dos dois cabe num bolso de calça jeans com folga, mas o R36 Max, sendo vertical e compacto, chega bem mais perto disso que o X55. Se portabilidade extrema é a sua prioridade número um, um Miyoo Mini Plus ou um Trimui Brick faz ainda mais sentido.

Proporção de tela: quadrada vs widescreen

Esse é o coração do comparativo, porque as duas telas servem coisas diferentes.

A tela do R36 Max é quadrada, 4" em 720x720, proporção 1:1. Ela aproveita praticamente toda a área em jogos 4:3 e 1:1: SNES, NES, Mega Drive, Neo Geo, Game Boy e principalmente arcade vertical ficam cheios e bonitos. O preço dessa escolha é que jogo widescreen aparece espremido no meio, com tarjas pretas grossas em cima e embaixo. Para uma dieta de retrô clássico, a tela quadrada é uma bênção; para conteúdo 16:9, é uma limitação.

A tela do X55 é widescreen, 5,5" em 1280x720. Ela é maior, tem bem mais pixels e fica mais nítida, ótima para enxergar de longe no sofá e para qualquer coisa em formato largo. Em jogos retrô 4:3, porém, sobram tarjas pretas nas laterais, o oposto do que acontece no R36 Max. É o formato mais "tela de TV", mais versátil para conteúdo moderno, mas que também não casa 100% com o retrô clássico estreito.

Resumindo a troca: o R36 Max acerta em cheio o retrô 4:3 e 1:1 e erra no widescreen; o X55 brilha em widescreen e nitidez e deixa tarjas laterais no retrô 4:3. Pense no que você joga mais.

Nitidez, resolução e áudio

Em nitidez bruta, o X55 leva vantagem. São 1280x720 numa tela de 5,5 polegadas, contra 720x720 numa de 4 polegadas no R36 Max. O X55 tem mais pixels no total e uma imagem mais limpa, o que aparece principalmente com shaders de CRT: há resolução de sobra para as scanlines ficarem bonitas sem borrar tudo. O painel do R36 Max é competente e bem nítido para o tamanho, mas não chega ao mesmo nível absoluto de definição.

No áudio, o X55 tem som estéreo decente para a faixa, melhor para jogar no alto-falante em ambiente silencioso. O R36 Max é mais modesto nesse quesito. Nos dois, fone de ouvido resolve e é como a maioria joga de qualquer jeito.

Nota

Tela maior e widescreen consome mais bateria. O X55, com painel de 5,5" em 720p, tende a durar um pouco menos por carga, enquanto o R36 Max conta com uma bateria de 4000mAh e tela menor para segurar a autonomia. Nenhum dos dois é campeão absoluto, então vale ter um carregador à mão. Veja nossas dicas para economizar bateria no handheld.

Sistema e desempenho

Os dois rodam Linux, e na prática isso significa custom OS da comunidade (ArkOS, JELOS e similares) ou o sistema de fábrica. O X55, por usar o RK3566, tem suporte mais consolidado e firmwares mais maduros: é um chip popular no ecossistema Linux de handhelds, então você encontra mais tutoriais e imagens prontas. O R36 Max usa o RK3326 da família R36, com firmware mais básico e uma cena de desenvolvimento menor.

Em desempenho, o RK3566 do X55 está um degrau acima do RK3326 do R36 Max, mas a diferença é sutil dentro do que importa para a maioria:

  • NES, SNES, Mega Drive, Game Boy, GBA: rodam liso nos dois, sem discussão.
  • PS1: folga total em ambos, é o ponto forte dessa categoria.
  • Nintendo 64: os dois seguram jogos mais leves; nenhum roda o catálogo inteiro sem tropeços, mas o X55 leva uma leve vantagem.
  • PSP e Dreamcast: o X55 vai um pouco mais longe nos títulos leves graças ao RK3566; o R36 Max é mais limitado aqui.

Os dois têm o mesmo teto prático no PS1; o RK3566 só estica um pouquinho mais a corda em casos pontuais. Ninguém deve comprar nenhum dos dois esperando PSP ou Dreamcast rodando liso de verdade.

Dica

Em qualquer um dos dois, instalar um custom OS como o ArkOS melhora muito a experiência em relação ao firmware de fábrica: interface mais rápida, melhor compatibilidade e organização de jogos. Vale o pequeno trabalho de configurar o cartão.

Preço e custo-benefício

O R36 Max joga na faixa de "preço de clone" e é dos mais baratos que existem. Se o seu orçamento é apertado e você quer um aparelho compacto com tela quadrada para retrô clássico, ele entrega isso pelo menor valor possível.

O X55 custa um pouco mais, mas justifica com tela maior e mais nítida, chip um degrau acima, Wi-Fi e suporte de comunidade mais robusto. É o conjunto mais parrudo dos dois, e costuma ser a recomendação para quem pode esticar um pouco o orçamento e quer tela grande widescreen.

Há também a questão da longevidade. O RK3566 do X55 é um chip muito difundido no mundo dos handhelds Linux, o que significa firmwares novos, correções e melhorias de compatibilidade ao longo do tempo. O R36 Max, baseado na plataforma R36, tem uma cena de desenvolvimento menor. Para quem gosta de manter o aparelho atualizado e explorar custom OS, o X55 oferece terreno mais fértil a longo prazo.

Dica

Seja qual for o escolhido, invista num bom cartão microSD. Esses handhelds dependem 100% do cartão para os jogos, e um cartão lento ou ruim causa travadas e corrupção de saves. Dê uma olhada no nosso guia do melhor cartão de memória para emulador.

Veredito: qual comprar

Compre o R36 Max se:

  • Você quer um aparelho compacto e vertical, estilo Game Boy
  • Joga majoritariamente retrô clássico 4:3 e 1:1 (SNES, Neo Geo, arcade, Game Boy) e curte a tela quadrada
  • Quer gastar o mínimo possível
  • Está começando no hobby e quer testar antes de investir mais

Compre o Powkiddy X55 se:

  • Você quer tela grande widescreen (5,5" em 720p) e a maior nitidez da dupla
  • Prefere o formato horizontal de tablet de jogo
  • Quer um pouco mais de potência (RK3566) e Wi-Fi para netplay e scraping de capas
  • Pode esticar o orçamento e valoriza suporte de firmware mais maduro

Resumindo: não é "o maior ganha". O R36 Max é compacto, quadrado e mais barato, perfeito para retrô puro 4:3 e 1:1 no bolso da mochila. O X55 é grande, widescreen, mais nítido e um pouco mais forte, perfeito para quem quer tela de jogo larga e um conjunto mais completo. Escolha pelo formato e pela proporção de tela que combinam com a sua biblioteca, não pela polegada a mais.

Powkiddy X55

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Rafael Tanaka

Editor de consoles retrô e emulação

Rafael Tanaka mexe com emulação e coleciona portáteis desde a era do PSP. No RetroPortátil ele testa cada handheld na mão — Anbernic, Miyoo, Powkiddy, Retroid, R36S — e escreve reviews honestos, comparativos lado a lado e tutoriais de firmware e configuração, sempre com foco em ajudar o gamer brasileiro a escolher o aparelho certo para o seu bolso e para os sistemas que quer emular.

Editor do RetroPortátil, site independente sobre consoles retrô portáteis. O site usa links de afiliado da Amazon, o que não influencia as análises ou recomendações.

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