O R36 Max responde a uma pergunta que muita gente faz quando vê o R36S pela primeira vez: e se essa tela fosse maior e mais nítida? Pois é exatamente esse o argumento dele. Pega a fórmula barata e querida do R36S, mantém o mesmo corpo vertical estilo Game Boy e troca a telinha por uma IPS de 4 polegadas no formato quadrado 720x720. O resultado é, no fundo, um R36S com uma tela melhor para tudo que é retrô puro.
A pergunta que importa, então, não é se ele é potente, porque não é, e nem precisa ser. É se essa tela quadrada maior pelo preço de clone vale a pena, e para qual tipo de jogador. Vou destrinchar isso sem rodeios.
A tela quadrada 720x720: o ponto central
A tela do R36 Max é uma IPS de 4 polegadas no formato quadrado, com resolução de 720x720 e proporção 1:1, protegida por vidro temperado. Ela é, de longe, o motivo de existir desse aparelho. Comparada à tela do R36S, que é uma IPS de 3,5 polegadas em 640x480 (proporção 4:3), a diferença é nítida em dois sentidos: o painel é maior e tem bem mais pixels, deixando a imagem mais limpa e bonita.
Mas o detalhe que define esse aparelho é a proporção quadrada, e ela tem dois lados. O lado bom: jogos no formato 4:3 ou 1:1 aproveitam praticamente toda a tela, sem desperdício. SNES, NES, Mega Drive, Game Boy, Game Boy Advance, Neo Geo, PS1 e principalmente arcade vertical (aqueles shoot 'em ups em pé) ficam grandes e cheios na tela quadrada. Para quem joga 95% retrô clássico, é o casamento perfeito de painel e biblioteca.
O lado ruim é o outro rosto da mesma moeda: jogo widescreen vira problema. Qualquer coisa em 16:9 ou mais larga aparece espremida no meio, com tarjas pretas gordas em cima e embaixo, e a imagem efetiva fica pequena. Como a maioria do catálogo retrô que você vai jogar aqui é 4:3 ou 1:1, isso quase nunca incomoda. Mas é honesto avisar: se a sua cabeça pensa em tela de jogo como widescreen, o quadrado vai estranhar no começo.
É a mesma lógica de aparelhos como o Powkiddy RGB30 e o Anbernic RG Cube, que também apostam em tela quadrada justamente porque o retrô clássico é majoritariamente 4:3 e 1:1. Não é defeito, é escolha de projeto, e ela combina demais com o tipo de jogo que esse handheld foi feito para rodar.
Vale o aviso de sempre: é um painel de aparelho barato. Não espere o brilho e a saturação de um AMOLED de topo nem a fidelidade de cor de um Anbernic premium. É uma IPS decente, com resolução boa para o preço, que cumpre o papel muito bem para retrô. Pelo que custa, está mais que de bom tamanho.
O que o R36 Max roda de verdade
Aqui preciso ser bem claro, porque tela maior engana muita gente. Tela melhor não significa mais potência. O R36 Max usa o mesmo chip Rockchip RK3326 da família R36, quad-core Cortex-A35 rodando perto de 1,5GHz, com sistema Linux. É exatamente o mesmo cérebro do R36S, então o teto de desempenho é o mesmo.
Na prática, ele dá conta com folga de:
- 8 e 16 bits: NES, SNES, Mega Drive, Master System, PC Engine. Tudo liso, a plena velocidade.
- Portáteis: Game Boy, Game Boy Color, Game Boy Advance. Perfeito, e o formato quadrado acomoda muito bem esses jogos.
- PS1: roda muito bem, e é aqui que mora o ponto forte do aparelho. A maioria da biblioteca de PlayStation 1 corre redonda.
- Arcade e Neo Geo: sem dramas via MAME e FBNeo, respeitando a fronteira do que o chip aguenta. Arcade vertical, em especial, fica lindo na tela 1:1.
Subindo a régua, o cenário fica nebuloso, e é bom ter expectativas realistas:
- Nintendo 64: alguns títulos mais leves rodam de forma jogável, mas é uma loteria. Vários jogos pesados engasgam, ficam com frame rate ruim ou simplesmente não valem a pena.
- PSP: só os jogos 2D mais leves e bem comportados. A maioria do catálogo de PSP não roda bem aqui. Não compre o R36 Max pensando em PSP.
- Dreamcast e DS: mesma história. Uns poucos títulos leves arranham, mas não conte com isso como recurso de verdade.
Nota
O teto realista do R36 Max é o PS1, com N64, DS e Dreamcast leves como bônus ocasional. É o mesmo teto do R36S, porque o chip é o mesmo RK3326. Se a sua biblioteca dos sonhos inclui PSP rodando liso ou N64 sem engasgo, este não é o aparelho certo, e você deveria olhar para um handheld Android.
A diferença para o R36S
Se você já conhece o R36S, entender o R36 Max é simples: é o mesmo cérebro no mesmo formato, com uma tela diferente. Os dois são verticais, no estilo Game Boy, e as semelhanças pesam muito mais que as diferenças.
O que é igual:
- O mesmo chip Rockchip RK3326 e, com ele, o mesmo teto de desempenho, com PS1 como fronteira confortável.
- O mesmo formato vertical estilo Game Boy, que cabe bem na mão e é pensado para retrô.
- O mesmo ecossistema Linux barato, com suporte a custom firmwares da comunidade.
- A mesma lógica de jogos no cartão microSD, com pastas por sistema.
- O preço na faixa de clone acessível, embora o Max custe um pouco mais pela tela e bateria melhores.
O que muda:
- Tela: o R36S tem IPS de 3,5 polegadas em 640x480 (4:3); o R36 Max tem IPS de 4 polegadas em 720x720 (quadrada 1:1). A do Max é maior, mais nítida e quadrada. É a diferença mais sentida no dia a dia.
- Bateria: o R36 Max traz 4000mAh, uma bateria maior que ajuda a compensar a tela mais exigente.
- Tamanho e peso: o Max é um pouco maior e mais pesado que o R36S, por causa da tela e da bateria maiores, mas continua sendo um aparelho compacto e vertical.
Resumindo o duelo interno: você não está escolhendo entre formatos diferentes nem entre mais ou menos potência. Os dois são verticais e têm o mesmo teto. Está escolhendo entre a tela 3,5" 4:3 menor e mais compacta (R36S) e a tela 4" 720x720 quadrada, maior e mais nítida (R36 Max), mais um pouco de bateria extra. Se quiser ver outros irmãos baratos dessa família lado a lado, vale ler nosso comparativo de R35S vs R36S.
Ergonomia e o dia a dia com a tela quadrada
O formato vertical com dois analógicos é confortável para sessões de retrô e até para PS1 e 3D leve que dependem de stick. Os botões e gatilhos L1/L2/R1/R2 ficam onde os dedos esperam, e como o corpo é vertical estilo Game Boy, ele segue sendo um aparelho que você consegue segurar com uma mão só em muitos jogos.
A tela quadrada muda a sensação de jogar. Em SNES, Neo Geo, Game Boy e arcade vertical, você sente que o painel inteiro está trabalhando para você, e é gostoso. Em jogo widescreen, a área útil encolhe, então quem mistura muito conteúdo 16:9 na rotina vai sentir as tarjas. Para a dieta típica de retrô clássico desse handheld, o saldo é positivo na grande maioria dos casos.
Dica
Antes de comprar, pense no tipo de jogo que você mais joga. Se é retrô clássico 4:3 e 1:1 (SNES, Neo Geo, arcade, Game Boy), a tela quadrada do R36 Max é uma delícia e aproveita tudo. Se a sua biblioteca tem muito jogo widescreen, lembre que ele vai aparecer com tarjas no painel 1:1.
Bateria, sistema e suporte
A bateria de 4000mAh do R36 Max rende algo na faixa de 8 a 10 horas em uso casual, com recarga via USB. É uma autonomia confortável para a categoria, e a bateria maior ajuda a segurar a conta mesmo com a tela de mais pixels puxando um pouco mais de energia. Não é um campeão absoluto, mas atende bem.
O sistema é o Linux de fábrica da família R36, funcional mas básico. Como em todos os aparelhos desse ecossistema, a graça está em explorar os custom firmwares da comunidade, que organizam melhor as ROMs, deixam a interface mais bonita e adicionam recursos. Se você nunca mexeu nisso, nosso guia de custom firmware para handheld explica as opções.
Vale lembrar que esses aparelhos baratos têm variações de hardware entre lotes, então instalar firmware alternativo pode exigir um pouco de pesquisa sobre a sua unidade específica. É o preço de comprar na faixa de clone: o suporte vem mais da comunidade do que de um fabricante oficial organizado.
Prós e contras
Prós:
- Tela IPS de 4 polegadas quadrada (720x720) maior e mais nítida que a do R36S, por preço baixíssimo
- Proporção 1:1 que aproveita 100% em jogos 4:3 e 1:1: SNES, Neo Geo, arcade vertical, Game Boy
- Roda muito bem do 8/16 bits ao PS1
- Formato vertical compacto estilo Game Boy, fácil de segurar
- Bateria de 4000mAh com boa autonomia
- Um dos jeitos mais baratos de ter essa tela quadrada de 720x720
Contras:
- Mesmo chip RK3326 e mesmo teto de desempenho do R36S, sem ganho real de potência
- PSP, N64 pesado e Dreamcast não são jogáveis de forma confiável
- Jogos widescreen aparecem com tarjas pretas grandes na tela quadrada
- Um pouco maior e mais pesado que o R36S
- Tela e acabamento de aparelho barato, sem luxo
- Variação de hardware entre lotes, típica da faixa de clone
Veredito: vale a pena?
O R36 Max vale a pena para um perfil bem definido: quem ama retrô clássico 4:3 e 1:1 (SNES, Neo Geo, arcade, Game Boy, PS1), quer uma tela maior e mais nítida que a do R36S e gosta da ideia da proporção quadrada, gastando o mínimo possível. Para esse jogador, ele entrega exatamente o que promete, e é difícil achar uma tela quadrada de 720x720 mais barata.
O que você não pode fazer é esperar mais do que ele é. A tela melhor não comprou potência: é o mesmo RK3326 do R36S, então o teto continua sendo o PS1, com N64, DS e Dreamcast como sorte ocasional. Se a sua ambição inclui PSP rodando liso, este não é o caminho, e um Android de entrada serve melhor. E se você joga muito conteúdo widescreen, a tela 1:1 vai te incomodar com tarjas. Já se o seu duelo é entre o R36 Max e outro barato de proposta bem diferente, vale o nosso R36 Max vs Powkiddy X55.
Se você quer a melhor tela quadrada possível pelo menor preço possível e sabe que joga retrô clássico até PS1, o R36 Max é uma compra honesta e satisfatória.
R36 Max
R$ 280–450A versão de tela maior da família R36 — IPS 4" quadrada 720x720, vertical, por preço de clone
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E se, no fim das contas, você prefere a tela menor e o aparelho ainda mais enxuto, o irmão segue como o rei do custo-benefício extremo.
Perguntas frequentes
O R36 Max roda PSP?
Não de forma confiável. Apenas os jogos de PSP mais leves e 2D arranham, e a maior parte do catálogo engasga ou nem abre. O teto realista do R36 Max é o PS1, exatamente como no R36S, já que os dois usam o mesmo chip RK3326. Se PSP é prioridade para você, precisa de um handheld Android, e não deste aparelho.
O R36 Max é mais potente que o R36S?
Não. Os dois usam o mesmo chip Rockchip RK3326 e têm o mesmo teto de desempenho, do 8 bits ao PS1 com folga. A diferença está na tela: o R36S tem 3,5 polegadas em 640x480 (4:3) e o R36 Max tem 4 polegadas em 720x720 (quadrada 1:1), maior e mais nítida. O Max também traz bateria maior. Ambos são verticais, no estilo Game Boy.
Vale a pena a tela quadrada de 4 polegadas do R36 Max?
Depende do que você joga. Para retrô clássico em 4:3 e 1:1 (SNES, Neo Geo, arcade vertical, Game Boy), a tela quadrada de 720x720 aproveita tudo e fica linda. A limitação é que jogos widescreen aparecem com tarjas pretas no painel 1:1. Se a sua biblioteca é majoritariamente retrô clássico, a tela compensa bastante; se tem muito jogo widescreen, pese isso antes.

